
A trama se passa em um tempo após os famosos doze trabalhos. Baseado na Radical Comics de Steve Moore e Cris Bolsin, o filme nos traz um Hércules humano, líder de um grupo de mercenários contratado para serviços por ouro. É quando o rei de Trácia o contrata para vencer uma ameaça que vem rondando o reino.

É curioso ver Dwayne Johnson encarnando o semi-deus, agora mortal. O ator finalmente demonstra ser capaz de se despir do personagem de si mesmo, ainda que continue sendo um homem forte. Vemos Hércules em cena e não "The Rock". E há uma boa química com seu grupo de mercenários, que funcionam em seus diversos papéis.

Os deuses aqui são meras alegorias citadas, sem importância efetiva. E não deixa de ser interessante mudar um pouco o ângulo de visão sobre o tema. A trama fica ágil, criando uma identificação maior com novas plateias. Mas, também fica um filme sem alma, querendo agradar a todos. E, no final, deixando a sensação apenas de uma aventura facilmente esquecível.

O que talvez decepcione mais em Hércules seja a parte técnica. As lutas são genéricas, muito do CGI dos monstros é frágil e o 3D é inexistente. É possível, inclusive perceber o tempo todo o trabalho da fotografia com variação na profundidade de campo, que com o efeito 3D perde muito do seu sentido de perspectiva.
No final das contas, Hércules não chega a ter a importância que Dwayne Johnson atribui. Talvez em sua carreira seja um marco, realmente conseguimos ver algo a mais ali. Mas, enquanto filme, fica apenas um entretenimento momentâneo com um argumento bem interessante.
Hércules (Hercules, 2014 / EUA)
Direção: Brett Ratner
Roteiro: Ryan Condal, Evan Spiliotopoulos
Com: Dwayne Johnson, John Hurt, Ian McShane, Joseph Fiennes, Rufus Sewell, Irina Shayk
Duração: 98 min.