
As questões da adolescência parecem ganhar ares cada vez mais melancólicos nas literaturas de sucesso da atualidade. Seja de maneira realista com uma doença terminal, como A Culpa é das Estrelas. Ou com doses de fantasia, a exemplo de uma paixão por um vampiro, em Crepúsculo, ou maldições como em Dezesseis Luas.
Se Eu Ficar não é diferente. Baseado no romance de Gayle Forman, a trama traz um casal e dilemas existenciais que questionam mais do que simplesmente o amor entre eles.


Mia e Adam são um casal bonitinho, com questões típicas da idade, mas não chegam a criar uma empatia tão forte que os tornem únicos em nossos corações. Após encantar o mundo com sua Hit Girl, Chloë Grace Moretz não mais nos deu algo que realmente convença, ainda que estivesse bem em Deixe-me Entrar. É uma atriz competente, mas não vai muito além. Já Jamie Blackley, que faz o Adam, não convence tanto, o que prejudica ainda mais o casal.

De qualquer maneira, o filme vai construindo seu ritmo próprio onde os dois tempos funcionam bem. A forma como Mia vai e retorna ao acidente também é muito bem construída, demonstrando que ela está presa às suas emoções e não exatamente a um espaço físico. Não por acaso todas as vezes que a luz a chama, algo novo surge em sua memória.
Se Eu Ficar é um romance adolescente como muitos que temos visto por aí atualmente. O que nos faz pensar sobre essa nova geração tão pessimista e melancólica em relação à vida e ao amor. Como se fosse preciso morrer um pouco, ou abdicar de muito para viver um relacionamento intenso. De qualquer maneira, consegue funcionar em seu principal intento de emocionar com uma triste e bela história de amor.
Se Eu Ficar (If I Stay, 2014 / EUA)
Direção: R.J. Cutler
Roteiro: Shauna Cross
Com: Chloë Grace Moretz, Mireille Enos, Jamie Blackley, Joshua Leonard, Liana Liberato
Duração: 107 min.