
Esta talvez seja uma boa síntese do filme Sem Pena, do diretor Eugênio Puppo, que discute a questão criminal no pais. As desigualdades, as injustiças, a deformação do sistema penitenciário, a mistura de desilusões locais. Um filme necessário que nos prende e faz pensar.
A construção estética é ousada e diferente da maioria das linguagens já vistas em documentários. Principalmente, nacionais. Lembra, talvez, um pouco, as experimentações de Wim Wenders. O filme é todo composto por depoimentos. Mas, eles estão apenas na voz over do entrevistado, enquanto a tela é preenchida por imagens aparentemente aleatórias.

Mas, o refresco não parece suficiente, tanto que em determinado momento há uma quebra. Acompanhamos um depoimento quase surreal de uma senhora acusada de tráfico de drogas. É desconcertante, importante, mas acaba parecendo um outro filme. Talvez,nesse seja um indício de que o formato não tem tanto fôlego quanto o diretor imaginava. Ou talvez, seja apenas uma escolha que não se encaixe tão bem no conjunto construído.

Mas, principalmente, é um filme que joga em nossa frente o caos que se tornou o nosso sistema jurídico. Onde o ser humano parece mais um processo arquivado em um jogo político e de poder que assusta. E que mistura criminosos de todas as espécies, piorando-os em vez de enquadrá-los.
Sem Pena é um documentário diferente em sua proposta estética e que toca em assuntos emergenciais. Daqueles filmes que precisam ser vistos pela sociedade e, principalmente, por estudantes e profissionais de Direito de nosso país.
Filme visto no 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
Sem Pena (2014 / Brasil)
Direção: Eugênio Puppo
Roteiro: Eugênio Puppo
Duração: 87 min.