
O filme é nonsense e com escolhas de mal gosto. A trama gira em torno de um grupo de crianças que se perde na floresta após sua professora desmaiar comendo uma fruta silvestre. Sozinhas, elas encontram um rapaz que vive ali e quer "deseducá-los" antes de levar de volta à cidade, mas acaba prometendo um deles como almoço de um lobo, em troca de ajuda com um carro quebrado. Apesar das crianças terem interpretações boas e algumas cenas interessantes, o fraco roteiro e as escolhas de direção não ajudam.

Em determinado momento da sessão, os personagens estavam procurando um garotinho perdido, chamado Paulinho. De repente, ouvimos do fundo da sala, uma das crianças presentes gritar: Paulinho!. Toda a sala caiu no riso, inclusive os dubladores. Mas, com um incrível poder de concentração, eles conseguiram respirar e continuar a interpretação das vozes.
Neste filme, Ronaldo Júlio foi mais exigido que Roberta Nogueira. Em muitas cenas ele tinha que contracenar consigo mesmo, em diálogos longos entre o personagem Tom e o personagem Lobo. E o mais impressionante é a percepção da diferença do tom de voz e da própria personalidade passada por ela dos dois personagens. É mesmo uma experiência que nos deixa encantados com o trabalho daqueles profissionais.

Isso não tem relação, no entanto, com o fato de preferir ver filmes em seu som original. Só reforçando, porque essa discussão já surgiu diversas vezes aqui, também. A dublagem é uma opção, um trabalho importante, principalmente para crianças e deficientes visuais. Mas, com ela, perde-se muito do trabalho de áudio original, vide na sessão em que ouvíamos o som original mais baixo, sem acompanhar os efeitos e trilha como deveria ser. Isso, sem falar na interpretação do ator. A própria Roberta Nogueira, na entrevista, concordou que não podemos deixar de ter a opção legendada.

Já Ronaldo Júlio é a voz de Daniel Craig, não apenas em 007, como em A Bússola de Ouro, Cowboys & Aliens e Millenium. Fez ainda uma série de filmes e de desenhos. Entre os mais famosos, Ben 10 fazendo vozes de Bala de Canhão e Aquático.
Foi bonito, ainda, ver as crianças saindo da sessão e indo cumprimentar os dubladores por seus trabalhos. São essas coisas que me encantam no FICI e nos fazem continuar apoiado esse Festival tão diferente e necessário por aqui. Vamos torcer para ano que vem ter muito mais.