

Em um mundo dominado por ursos, os ratos vivem recolhidos nos esgotos da cidade, e lendas são contadas às crianças sobre o enorme urso mau. A relação entre eles não é bem vista, e até mesmo condenada, mas uma jovem ratinha de nome Célestine irá enfrentar esse sistema, devido ao seu fascínio pelas criaturas da superfície. E quando ela começa uma amizade com Ernest a situação se complica para ambos.

O traço é simples, mas rico em detalhes de expressões e movimentos, trazendo ainda mais vida para a história. Há cenas muito boas, como as iniciais da velha rata contando a história do urso mau para os ratinhos dormirem. Utilizando de sombras na parede, a construção do terror do narrado ganha vida, não apenas nas formas assustadoras, mas pelos olhares de temor dos pequenos ratinhos escondidos na cama.

A cumplicidade que surge entre os dois, é acompanhada com ternura, como um pai e uma filha, que cuidam e amam um do outro. Na verdade, tanto Ernest, quanto Célestine eram duas criaturas extremamente sós, que não se adaptavam ao mundo em que viviam. Duas almas de artista, ele com a música, ela com a pintura que não conseguem a se adaptar a trabalhos formais. isso os aproxima e os torna uma família. E isso também é que mais incomoda o sistema vigente.
Ernest e Célestine pode parecer uma animação simples, com diálogos fáceis e linguagem infantil, mas por trás da superfície, traz questões extremamente caras à nossa sociedade, nos fazendo pensar e observar nossas atitudes diante da vida.
Visto no 12º Festival Internacional de Cinema Infantil - FICI
Ernest e Célestine (2012 / França)
Direção: Stéphane Aubier, Vincent Patar, Benjamin Renner
Roteiro: Daniel Pennac
Duração: 80 min.