
Afonsina, vivida por Débora Ingrid, está prestes a completar 15 anos. seu maior sonho é conhecer o mar. Mas, por enquanto, tem que se contentar em cuidar do pai, dos irmãos e do tio sonhador que mora na casa ao lado deles. Querência, interpretada por Marcelia Cartaxo, acaba de enterrar seu filho pequeno. Na faixa dos quarenta anos, pensa que a vida acabou, mas o cego Aderaldo vai cortejá-la com seu amor e seu acordeon. Já Dona Das Dores, vivida por Zezita Matos, está no fim da vida e tem poucos sonhos ou mesmo desejos. Até que seu neto vem de São Paulo para uma temporada em sua casa.

Com arcos bem construídos e um equilíbrio entre os núcleos, chama a atenção no filme é sua composição estética. Há planos extremamente sensíveis como o primeiro embate entre os irmãos Nataniel e Joãozinho. Os dois se encarando à luz do candeeiro, sem palavras, nos dá a noção daquele contraste, de dois mundos que parecem nunca se aproximar.

Arte essa que Joãozinho parece dominar bem, vide a cena em que ele faz uma performance em frente a sua casa. O inusitado da cena, o estranhamento dos vizinhos, a alegria da sobrinha, a raiva do irmão. Tudo acaba traduzido em expressões corporais e na letra que acaba resumindo os sonhos e desejos reprimidos daquela comunidade. Não por acaso há muito ironia na resolução dela.

E diante de tanta ebulição de sentimentos e sensações, os atores acabam também se destacando. Irandhir Santos, Marcelia Cartaxo, Débora Ingrid e Zezita Matos foram premiados em Paulínia e fazem jus aos prêmios. Mas, destaco também Claudio Jaborandy que dá ao Nataniel o tom necessário, apresentando belas cenas. Ainda que pareça escorregar na cena de bebedeira. Já Irandhir Santos, excelente como sempre, só me preocupa começar a se repetir. Ainda que diferente, seus últimos papéis trazem semelhanças que possam deixá-lo marcado, o que não é bom.
De qualquer maneira, A História da Eternidade é daqueles filmes que envolvem o público em geral, com personagens e histórias bem contadas. Ainda que com alguns exageros. E encanta a crítica com cuidados estéticos. Tem tudo para ser um dos grandes filmes do ano, caso estreie em circuito comercial ainda em 2014.
Visto no X Panorama Internacional Coisa de Cinema.
A História Da Eternidade (2014 / Brasil)
Direção: Camilo Cavalcante
Roteiro: Camilo Cavalcante
Com: Marcelia Cartaxo, Leonardo França, Débora Ingrid, Irandhir Santos, Zezita Matos, Claudio Jaborandy, Maxwell Nascimento
Duração: 121 min.