
O filme produzido por Steven Spielberg tem um tom farsesco, por vezes infantil e outras com um humor bastante ácido. Além, claro, do toque nonsense de um bichinho tão estranho como um Mogwai. Ele ser sensível a luz forte e morrer com a luz do sol pode ter alguma base, mas se multiplicar daquele jeito com algumas gotas d´água é estranho. E o fato de se metamorfosear com qualquer alimento após a meia-noite, faz menos sentido ainda. E o fuso horário, como fica no relógio biológico do bicho?

No colégio onde um dos Gremlins irá atacar, vemos a faixa convidativa "tenha um Natal feliz e seguro". Já na televisão da casa de Billy, o personagem avisa: "Vocês serão os próximos". Isso sem falar na brincadeira no cinema com os sete anões cantando "eu vou pra casa agora, eu vou". Outras piadas são mais sutis como na convenção de inventores que em uma cena atrás do pai de Billy, um homem está sentado em uma máquina do tempo igual ao do filme de 1960 e no take seguinte, ele simplesmente sumiu.

Mas, o tom pende mesmo para o humor irônico. Os Gremlins são bichos asquerosos, mas também atrapalhados e até divertidos em determinados pontos de vista. E Gizmo também apronta várias, sem falar no cão Barney, de quem tiram expressões ótimas que acabam criando um efeito divertido nas cenas. Ele "entendendo" tudo o que a senhora fala no banco é um belo exemplo.
No final das contas, Gremlins é um filme divertido, com humor inteligente e irônico para uma história mágica. Traz temas como responsabilidade, seguir regras e trabalho em equipe. Um filme melhor resolvido que sua continuação em 1990, onde eles acabam abusando do humor bobo.
Gremlins (Gremlins, 1984 / EUA)
Direção: Joe Dante
Roteiro: Chris Columbus
Com: Zach Galligan, Phoebe Cates, Hoyt Axton
Duração: 106 min.