
Os esforços de Peter Jackson e os outros três nomes que ele chamou para o ajudarem no roteiro da trilogia não pareceram suficientes. Por mais enxertos que tenha feito de apêndices e pontos de vistas apenas citados na obra de Tolkien. A jornada de Bilbo chega ao seu momento derradeiro sem fôlego. Isso, por incrível que pareça, não significa que A Batalha dos Cinco Exércitos seja um filme ruim, mas deixa uma sensação frustrante ao final dessa nova visita à Terra Média.

Bilbo bem que tenta, mas a loucura de Thorin parece ter dominado Peter Jackson em busca de seu próprio ouro. O resultado são cenas longas como a do chão que vai sugando o rei dos anões. Não falo contra a cena em si, mas o seu ritmo e duração. Esse é o maior problema de A Batalha dos Cinco Exércitos, todas as cenas poderiam ser menores, mesmo as das batalhas,que são muito bem orquestradas e empolgam em diversos momentos.

Toda a ação enxertada de Gandalf, Galadriel, Saruman e Elrond contra o "necromante" também cria alguns incongruências na jornada e postura dos personagens sessenta anos depois. O que no livro era apenas uma pista, aqui ganha proporções imensas para ficar encubada por tanto tempo. O que torna também a utilização do anel por parte de Bilbo algo a ser questionado. Mas, este foi um problema criado ao trazer a história pregressa após o sucesso de O Senhor dos Anéis no cinema, tentando aproximar o clima sombrio das duas fases.


Outro ponto positivo é técnico. Os efeitos especiais conseguem nos convencer. Desde a destruição proporcionada por Smaug, passando pela batalha em si e até a composição em cena dos personagens de tamanhos tão distintos. A trilha sonora também parece mais afinada aqui que nos demais filmes da trilogia, inclusive com referências a sons já conhecidos que acabam ajudando no clima épico.
O fato é que apesar do arrastar da trama, o universo criado por Tolkien e reproduzido com interferências próprias por Peter Jackson fascina. A missão de Bilbo pode não ser tão nobre quanto a de seu sobrinho, mas não deixa de ser uma aventura envolvente. E os temas de amizade, lealdade e luz versus sombra continua povoando a tela de maneira convincente. Poderia ser melhor, poderia ser mais objetivo, poderia ser mais fiel a Tolkien, mas não deixa de cumprir o seu papel, fechando a trilogia com uma batalha épica.
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (The Hobbit: The Battle of the Five Armies, 2014 / EUA)
Direção: Peter Jackson
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson e Guillermo del Toro
Com: Ian McKellen, Martin Freeman, Richard Armitage, Evangeline Lilly, Lee Pace, Cate Blanchett, Orlando Bloom, Aidan Turner, Christopher Lee, Hugo Weaving
Duração: 144 min.