
Duncan não é simplesmente um garoto tímido. Ele parece completamente introvertido em um mundo próprio obrigado a estar em uma família que não o compreende. Não há diálogos com a irmã postiça, muito menos com o pai dela, seu padrasto Trent. Sua mãe Pam finge não perceber todos os problemas, colocando-os embaixo do tapete e construindo uma aparente família feliz. Quando eles vão passar o verão na casa de praia de Trent, Duncan conhece Owen, o gerente de um parque aquático que finalmente o vê como uma pessoa.

O filme nos traz, então, essa forma singela de tratar as relações humanas e a busca deste adolescente por seu lugar no mundo. Sua atitude na praia, enquanto as meninas conversam na areia, sua postura corporal ao andar, a forma como observa a tudo quase sem participar, a situação vexatória no barco. Tudo nos mostra o tamanho do problema de Duncan. E é interessante que, como vemos pelo ponto de vista dele, todos é que parecem estranhos e exagerados, enquanto que ele é o único normal.


E em uma construção realista, um dos pontos de destaque da trama são as atuações. Steve Carell faz um irritante e boçal Trent que até nos faz esquecer o carisma do ator e seus personagens anteriores. Toni Collette também tem ótimos momentos como Pam. Assim como Allison Janney faz uma transloucada Betty. O garoto Liam James também nos convence como o tímido Duncan. E todo o núcleo do parque nos traz alívios cômicos e intensos em dosagem certa.
No final das contas, O Verão da Minha Vida não nos traz nada de novo, não revoluciona o mundo cinematográfico, mas consegue brincar com cada clichê e estereótipo nos dando uma história singela e envolvente de um personagem que aprendemos a gostar e nos importar com seu futuro. E é isso que vale a pena.
O Verão da Minha Vida (The Way Way Back, 2013 / EUA)
Direção: Nat Faxon, Jim Rash
Roteiro: Nat Faxon, Jim Rash
Com: Steve Carell, Toni Collette, Allison Janney, Sam Rockwell, Liam James
Duração: 103 min.