
O filme não chega a ser uma cinebiografia completa. O argumento se concentra na preparação do Carnaval de 1974, quando Joãosinho Trinta colocou a Salgueiro na rua pela primeira vez como Carnavalesco da Escola. É uma escolha feliz, já que falar da vida de uma pessoa é sempre algo complicado. Até por isso, soa excesso o retorno à década de 60 para mostrar quando o artista chegou ao Rio tentando ser bailarino do Municipal.

De qualquer maneira, a forma como o roteiro foca na preparação do Carnaval de 74 é interessante. O preconceito sofrido pelo artista, o descrédito dos integrantes da escola, as dificuldades no barracão, o seu processo de criação. Mergulhando nisso, vamos junto com o personagem, entendendo seu mundo, seu estilo, sua história. E nesse ponto, precisamos destacar a entrega de Matheus Nachtergaele, ator que consegue nos apresentar um Joãosinho Trinta próprio, mas que traduz o verdadeiro artista.


Apesar de uma boa resolução para cena final, no entanto, fica a sensação de que falta algo para completar aquela história. A trama parece interrompida no momento-chave, nos dando uma quase angústia incômoda que não é do final aberto bem realizado, mas de uma interrupção mesmo.
De qualquer maneira, Trinta é um filme bem realizado. Em suas escolhas, consegue nos passar o essencial daquele artista e a forma como ele revolucionou o Carnaval do Rio de Janeiro. Cheio de luxo e criatividade, afinal, "quem gosta de pobreza é intelectual".
Trinta (Trinta, 2014 / Brasil)
Direção: Paulo Machline
Roteiro: Paulo Machline, Claudio Galperin, Felipe Sholl, Mauricio Zacharias
Com: Matheus Nachtergaele, Paolla Oliveira, Milhem Cortaz, Fabrício Boliveira, Ernani Moraes, Marco Ricca, Mariana Nunes
Duração: 92 min.