
A noviça Anna está prestes a prestar seus votos, quando a Madre Superiora mande que ela passe um tempo com sua única parente viva: a tia Wanda. Uma mulher cínica e mundana, defensora do Partido Comunista. Com ela, Anna descobre um segredo de seu passado. Ela, na verdade se chama Ida e é de origem judia tendo seus pais sido mortos pelos nazistas. Começa, então, uma jornada dessas duas mulheres para encontrar o local onde os corpos estão enterrados.

"Claro", diz a tia em determinada cena, "eu sou a puta e você a santa". Dois extremos, dois estereótipos que eram guardados à mulher. Como se não pudesse haver o caminho do meio. Na frase irônica da tia Wanda, temos muito do questionamento sobre a própria hipocrisia da sociedade como quando uma mulher não deixa que elas andem por sua propriedade, mas pede que Ida benza seu filho. Fora o medo daquela família em relação ao segredo de Ida que vai nos instigando.

No fundo, são duas mulheres solitárias, acostumadas à reclusão, ainda que de maneira diferente. Nenhuma das duas, lida muito bem com pessoas, interagindo menos ainda com elas. Cada uma em um polo, uma na explosão, outra no encolhimento, mas ambas distantes, criando barreiras entre elas e os outros. Até por isso, o relacionamento com o saxofonista da banda acaba sendo uma novidade a ser explorada. Uma forma de conhecer o mundo, como a Madre Superiora queria que Ida fizesse.
De maneira sutil e envolvente, Ida nos mostra um mundo particular, mas que traduz a realidade de muitas pessoas. Mulheres que sofrem com passados, dores, escolhas, determinações tão fortes, que mesmo quando há a possibilidade de mudança, algo as carrega de volta ao que parece ser seus destinos.
Ida (Ida, 2013 / Polônia)
Direção: Pawel Pawlikowski
Roteiro: Pawel Pawlikowski e Rebecca Lenkiewicz
Com: Agata Kulesza, Agata Trzebuchowska, Dawid Ogrodnik
Duração: 82 min.