
Uma espécie de biografia de Jiro Horikoshi, engenheiro aeronáutico japonês que projetou boa parte dos aviões utilizados na Segunda Guerra Mundial, Vidas ao Vento foca bastante no processo de criação do inventor. Mas, é também um filme sobre sonhos. O sonho de Jiro de voar, ou melhor, de ver suas criações voarem já que sua visão não permite ser piloto. O sonho do Japão de se destacar, seja por guerra ou tecnologia. O sonho de uma jovem Naoko Satomi de ficar boa por seu amado.

Acordado, ele também se divide entre o amor puro de Naoko e as estratégias aeronáuticas. As cenas do casal desde o princípio são repletas de poesia, enquanto que a realidade da invenção parece tirar Jiro daqueles belos sonhos acrobáticos em números e cálculos intermináveis que muitas vezes acaba em queda. Isso sem falar na realidade da guerra, no acordo com os alemães, nas escolhas do Japão e toda a construção da história que já conhecemos.


E o vento, claro. Ele que tem papel importante em toda a trama, quase uma simbologia do tempo. Ajuda os aviões a planarem, dão resistência às suas manobras. E levam e trazem o amor de Jiro e Naoko seja através de um chapéu no trem, um guarda-chuva no campo ou um aviãozinho na sacada. Suas idas e vindas são como a vida, instável, mas refrescante e bela, como a poesia da simplicidade que vemos nos traços de Miyazaki.
Vidas Ao Vento pode não ter o impacto de outras obras do diretor. Seu tema pode tornar-se cansativo, principalmente quando detalhe em excesso construções e estratégias diversas. Mas, ainda assim, é uma animação que enche os olhos pela qualidade estética, pela habilidade gráfica ou mesmo pelo roteiro que nos leva, sabendo exatamente onde quer chegar. Se for mesmo a despedida de Miyazaki é uma pena, mas não deixa de ser um belo fecho.
Vidas Ao Vento (Kaze tachinu, 2014 / Japão)
Direção: Hayao Miyazaki
Roteiro: Hayao Miyazaki
Duração: 126 min.