
Na infância, Alan Turing foi um garoto recluso que adorava enigmas e códigos. Adulto, ele participou de um dos segredos mais bem guardados da Segunda Guerra Mundial. Já recluso novamente em seu apartamento, ele é investigado por policiais britânicos, após sua casa ser assaltada. As três épocas vão sendo narradas em paralelo, costurando informações e nos dando a dimensão do que está por trás de tudo isso.

Apesar de qualquer pessoa um pouco esclarecida saber que assim surgiram os computadores, e a Alemanha perdeu a guerra, a construção narrativa de O Jogo da Imitação não deixa de ser envolvente. Apesar de sabermos os fatos, o como é que nos deixa curiosos, vivenciar aquilo é mais interessante que saber. Principalmente, por que o ator Benedict Cumberbatch se torna um ótimo guia, nos fazendo aprofundar na alma daquela história através do protagonista.


Vale ressaltar ainda, a boa qualidade dos diálogos. Há ótimas batalhas entre o dito e o não dito seja entre Turing e Joan, entre Turing e seu contratante Commander Denniston (Charles Dance), entre Turing e seu superior Stewart Menzies (Mark Strong) entre Turing e Hugh Alexander (Matthew Goode). Todos antagonistas e auxiliares em momentos distintos.
O Jogo da Imitação é daqueles filmes que nos deixa interessados do primeiro ao último minuto. Seja pela forma como tudo é construído, pelo segredo guardado por mais de cinquenta anos, seja pela importância daquela estranha máquina para a nossa forma de lidar com o mundo atualmente. Ou alguém consegue se imaginar sem computador hoje em dia?
O Jogo da Imitação (The Imitation Game, 2014/ Reino Unido)
Direção: Morten Tyldum
Roteiro: Graham Moore
Com: Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Matthew Goode, Rory Kinnear
Duração: 114 min.