
Na verdade, Luc Besson brinca com probabilidades nesse filme. Brinca de Deus ao supor como seria se utilizássemos toda a nossa capacidade cerebral, de doutor ao apresentar as teorias científicas e suas pesquisas na figura do personagem de Morgan Freeman. E ainda de investigador, ou gangster como preferir, quando nos apresenta a estranha organização de coreanos em Taiwan que descobriram uma nova e poderosa droga a base de CPH4.

Com essa premissa, o filme mistura ficção científica, ação e fantasia em uma obra que brinca também com o formato da narrativa, ao criar a trama em paralelo do Professor Norman vivido por Morgan Freeman, que vai apresentando em sua palestra o que está acontecendo com Lucy e fazendo os paralelos com o reino animal. E a grande preocupação do Professor Norman é de que o ser humano está sempre mais preocupado com o ter do que o ser.


Porém, apesar de toda essa mise-en-scène que nos prende em frente a tela, envolvidos e curiosos, o filme nos dá muito pouco. Muito pouco sobre os personagens, sobre a droga, o cérebro, os traficantes ou os cientistas. Todos parecem peças em um tabuleiro onde o que vale mesmo é brincar com os temas de maneira superficial e que entretenha o público. Pouco fica após a projeção. E provavelmente menos ainda ficará com o passar dos anos, ao contrário dos três filmes citados pelo diretor, sendo o primeiro, até hoje sua melhor obra.
Lucy é isso. Uma obra de entretenimento engenhosa que demonstra o talento criativo e técnico do seu diretor e roteirista, mas que acrescenta quase nada a quem o assiste. Isso não o torna ruim. Pelo contrário, é um filme bem feito e que nos envolve. Cumpre sua função. Mas, também se torna descartável. O que é uma pena.
Lucy (Lucy, 2014 / EUA)
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Com: Scarlett Johansson, Morgan Freeman, Min-sik Choi
Duração: 89 min.