
Mad Max (1979)
Elenco: Mel Gibson, Joanne Samuel, Hugh Keays-Byrne
Para entender Mad Max é preciso entender também a época em que vivíamos. Tudo bem que já tinha estreado o primeiro Star Wars e Hollywood já vinha construindo filmes de ação com uma visão crítica. Mas, chamou a atenção em Mad Max a estrutura crua, a maximização dos filmes de estrada, a adrenalina das disputas de carro e, claro, o fato de vir lá da Austrália, um cenário independente que já deu muita coisa boa para o cinema.
Aqui, ainda existe requisitos de civilização. Boa parte da trama se passa em uma cidade, Max ainda é um policial. Ainda existe uma ordem estabelecida, ainda que a gangue de motoqueiros pareça acima de qualquer lei.

A economia narrativa aqui traz algumas questões cíclicas que acabam tornando a projeção cansativa aos olhos de hoje. Temos cenas de ambientação, diálogos, cenas de contemplação e a estrada com as cenas de perseguição. Até mesmo pelos recursos da época, não se pode ser muito criativo nas cenas de ação nos dando uma sensação de repetição. Ainda assim, há momentos impressionantes, como as motos perseguindo a mulher e o filho do protagonista.
Os efeitos especiais também são restritos e muitos recursos são extremamente datados como os olhos esbugalhados ou a trilha sonora marcada, com efeitos disco e impacto over. De qualquer maneira, é um filme que traz a essência de um autor em busca de sua marca.
Mad Max 2 (1981)
Elenco: Mel Gibson, Bruce Spence, Michael Preston
O segundo filme parece ser aquilo que George Miller queria nos mostrar. E simboliza bem o espírito Mad Max, tanto que esse novo, Estrada da Fúria é um reboot dos acontecimentos daqui, sendo o primeiro algo apenas subentendido.
O mundo está bem mais devastado, os resquícios de civilização ficaram para trás. Vemos ainda estradas, mas o deserto é que domina a paisagem. Aqui, Max é o típico lobo solitário, mas é interessante como o roteiro está sempre brincando com ele, não o tornando um super herói, mas um homem com brechas até mesmo para ser enganado como é constatado no final.

O filme é mais ágil que o primeiro, possui mais cenas de ação e disputas de carros. Há mais recursos, já que aqui Miller já está com o apoio de um grande estúdio de Hollywood. O ar independente do primeiro continua apenas na anarquia da estrutura fílmica que não segue exatamente regras de manuais da indústria. É ainda um filme autêntico e que funciona ainda hoje para plateias diversas.
Aqui a luta pela sobrevivência é o tema central, nos mostrando que os seres humanos são capazes de tudo para salvar suas próprias peles. E, no final, Max, mesmo sendo glorificado pela narração em voz over, se revela o "pato" diante daquela tribo aparentemente ingênua, ao descobrir que arriscou sua vida com um caminhão de areia, para ser apenas isca da gangue.
Mad Max: Além da Cúpula do Trovão (1985)
Elenco: Mel Gibson, Tina Turner, Bruce Spence
Ainda que seja o filme da trilogia com mais dinheiro investido, já realizado nos Estados Unidos, é o filme mais bagunçado dos três. O próprio George Miller o fez sem muito gosto, após a morte de seu amigo e produtor Byron Kennedy.
O filme perde um pouco a unidade ao misturar os acontecimentos em Bartertown, cidade controlada pela vilã interpretada por Tina Turner com o vale das "crianças perdidas", que lembra muito uma espécie de grupo de Peter Pan. A própria reação de Aunty Entity ao se aproximar de Max no final, dando apenas uma risada e virando as costas, nos mostra que tudo aquilo parece sem sentido.

O vale das "crianças perdidas" constrói um clima das consequências de mundo pós-apocalíptico e a esperança de dias melhores. Mas, o roteiro trabalha mal isso, principalmente pela função dentro da própria estrutura criada. O objetivo, no final, acaba sendo salvar "The Master", vivido pelo ator Angelo Rossitto, que parecia um vilão à primeira vista, mas se torna um vovô legal que carrega sua engenharia de retirar energia do estrume dos porcos para outro local, deixando Bartertown sem recursos.
Ainda assim, não chega a ser um filme ruim. Há um clima de Caravana da Coragem em muitos momentos, outros do já citado Peter Pan. Há um clima dos anos oitenta, divertido, anárquico. Só perde um pouco da crítica social, tão bem estabelecida nos demais.