
A trama começa de maneira instigante, vemos Katie correndo no meio da noite, ensanguentada, com uma faca na mão. Sua jornada de fuga e obsessão de um policial por encontrá-la deixa a plateia presa a tela e curiosa em relação ao sentido e resultado de tudo aquilo. Mas, depois tudo parece se acalmar em um falso porto seguro. E a história se torna mais do mesmo.

Paralelo à nova vida de Katie, acompanhamos a obsessão do policial que procura pistas de sua fugitiva, inclusive espalhando cartazes de "procurada" por todo o país. E esse acaba sendo um dos primeiros pontos fracos do roteiro. Mais do que medo por ela ser pega, as cenas nos dão a certeza de que algo não está normal naquela caçada já matando uma das surpresas da trama. A outra surpresa é tão óbvia que nem chega a ser uma revelação, quando finalmente fica explícita.

Mesmo suas estratégias de suspense são over. E acabam nos tirando da história para observar o quão exagerado é tudo aquilo, tanto que o clímax da trama nos parece uma sucessão de absurdos pouco críveis. A ameaça nunca chega a parecer real a ponto de nos importarmos com os personagens.
Os personagens também parecem todos rasos demais, não há camadas em suas personalidades. Quem é bom é bom, quem é mau é mau e louco. Mesmo Jo, que poderia ter mais nuanças, acaba sendo quase irreal em todo o seu planejamento e desprendimento.
Um Porto Seguro é daqueles filmes que só funcionam com um tipo específico de público. Foi feito para eles, sem tanto cuidado com uma riqueza maior em sua trama ou mesmo construção da obra. É feito para emoções fáceis de quem quer se emocionar a todo custo.
Um Porto Seguro (Safe Haven, 2013 / EUA)
Direção: Lasse Hallström
Roteiro: Dana Stevens, Gage Lansky
Com: Julianne Hough, Josh Duhamel, Cobie Smulders, David Lyons
Duração: 115 min.