
Esqueçam a família Lambert, a situação aqui se passa na casa da família Brenner, ou melhor, com a jovem Quinn Brenner. Querendo se comunicar com a mãe falecida, ela acaba despertando algum ser das sombras e coisas estranhas vão lhe acontecer, ameaçando sua vida. Para isso, ela vai buscar a ajuda da médium Elise Rainier, mas esta ainda não está preparada para sua jornada de caça-fantasmas.

Com a desculpa de explicar os fenômenos que vimos nos outros dois filmes, esse terceiro retorna ao passado e acaba perdendo muito da mitologia construída no segundo filme, também não retomando o bom suspense do primeiro. Fica um filme de sustos e construção de efeitos fáceis do terror, sem a atmosfera bem embasada do suspense bem feito. É o velho apaga a luz, coloca um corredor estranho, uma música esquisita e, de repente, um bicho assustador pula na sua frente.


E por falar no roteirista Leigh Whannell, aqui ele assume a direção da obra, primeira vez nessa função e, talvez por isso, o filme acabe pecando nesse quesito. O olhar que James Wan deu aos outros dois filmes, aqui se torna um exercício bobo de susto sem criatividade. O trabalho perde em pensamento audiovisual, segue como uma fórmula de manual de filmes de terror, com todas as decupagens clichês. Nada nos surpreende de fato.
Mas, paradoxalmente, Sobrenatural 3 funciona enquanto construção de medo. Há momentos em que a pessoa fica tensa, com adrenalina em alta e toma sustos. O problema é que quanto ele passa, fica também o vazio, como uma descida de montanha-russa. Você grita, você até se diverte, mas, quando o trenzinho pára, você já esqueceu. Não há nada para pensar ou discutir. Agora, se é tudo o que você quer, vale o passeio.
Sobrenatural: A Origem (Insidious: Chapter 3, 2015 / EUA)
Direção: Leigh Whannell
Roteiro: Leigh Whannell
Com: Dermot Mulroney, Stefanie Scott, Angus Sampson, Lin Shaye
Duração: 97 min.