
Thomas Novachek está planejando montar sua primeira peça, baseada na obra de Sacher Masoch, mas não consegue encontrar a atriz ideal para interpretar sua protagonista. Em uma noite chuvosa, já fechando o teatro ele recebe a atriz Vanda Jourdain que pretende provar ser ideal para o papel. Ele só não tinha ideia do quanto.
O filme é um grande jogo de artes e metalinguagem. Uma peça baseada na literatura, que por sua vez está se tornando um filme em nossa frente. É curioso como as três artes se misturam e se completam em cena através do texto, da interpretação dos dois atores e da câmera de Polanski que consegue nos dar os momentos exatos de tensão, drama e ironia.

A montagem também é bastante feliz, como o primeiro momento de virada na trama. Thomas até então, considera Vanda mais uma pedra em seu sapato, só quer se livrar dela, mas ao abrir a boca para a primeira fala da peça, ele se encanta. Vemos isso no olhar do ator quase em close enquanto ouvimos a voz de Emmanuelle Seigner. Isso depois de uma montagem em paralelo dela se preparando e dele irritado.

Não há como não destacar nisso tudo, o desempenho de Emmanuelle Seigner como Vanda. A esposa de Polanski consegue trazer sensações diversas para a personagem em todas as suas camadas. Sensual sem ser vulgar, apesar de aparecer com uma roupa de couro que lembra as fantasias sadomasoquistas. Sua transformação gradual traz realismo para o jogo proposto.
Tudo isso faz com que os noventa e seis minutos de projeção passem sem serem sentidos. Uma aposta arriscar que dá muito certo, ainda que não tão intenso que o seu anterior "Deus da Carnificina", Polanski consegue mais uma vez testar a linguagem e nos apresentar um excelente filme.
A Pele de Vênus (La Vénus à la fourrure, 2013 / França / Polônia)
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Roman Polanski
Com: Emmanuelle Seigner, Mathieu Amalric
Duração: 96 min.