
O ano é de 2019, quase ali em nossa realidade atual, mas um futuro distante para época. Mudando a data, o clima pode ser transportado para um futuro possível em nossa imaginação. Ali, os replicantes, andróides criados para explorar novos mundos no universo, tentaram se rebelar e, com isso, foram proibidos no planeta Terra, sendo caçados e removidos por policias intitulados Blade Runners. É quando Rick Deckard, um desses caçadores de andróides, recebe a missão de "remover" quatro espécies que estão clandestinas na Terra.

É curioso perceber que apesar de ser o herói da trama, e do carisma de Harrison Ford, no auge de sua beleza e charme, é com os replicantes que vamos encontrar o maior vínculo afetivo. Por mais estranhos e ameaçadores que Pris e Roy pareçam, eles se amam e apenas reagem a forma hostil com que foram construídos e tratados por todo esse tempo. Leon e, principalmente, Zhora nos são quase desconhecidos, mas o casal de replicantes acabam nos envolvendo em seu objetivo principal e a interpretação de Daryl Hannah e Rutger Hauer ajuda muito nisso.

Até por isso, a direção de Ridley Scott traz sempre um tom melancólico às fotografia e trilha sonora. Vemos boa parte da projeção sob forte chuva, com cenários sombrios e muito contraste de sombra e luz. E os acordes de Vangelis estão sempre em tom menor e em um compasso lento nos dando aquela sensação de se arrastar naquela tristeza sem fim do vazio.
Depois de tanto tempo, ter visto essa obra pela primeira vez no cinema teve um efeito ainda mais intenso. Nunca tinha visto a versão do diretor, apenas a lançada pelos estúdios e isso foi ainda mais especial. Reforçando a força e a importância desse filme para a história recente do cinema. Pena que Ridley Scott não nos surpreende mais com pequenas pérolas como essa.
Blade Runner, o Caçador de Andróides (Blade Runner, 1982 / EUA)
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Hampton Fancher , David Webb Peoples
Com: Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young, Edward James Olmos, Daryl Hannah, Brion James
Duração: 117 min.