
A trama gira em torno de um grupo de amigos que anos antes fez um filme de sucesso, mas não conseguiu manter no topo. Hoje estão todos decadentes e longe da verdadeira profissão. O ator é muambeiro, a atriz anima festas infantis, o diretor está com depressão vivendo de bicos e o roteirista, que também é ator, trabalha em uma loja de pneus. Mas, é ele quem traz uma luz ao grupo ao ganhar um concurso de roteiro que lhe dá cem mil para fazer um filme. O que ele não sabe é que tudo isso envolve um plano maior de vingança do ator que os leva para uma jornada de assaltos reais enquanto pensam estar gravando o filme.

Então, a ideia de fazer um filme com uma técnica que ninguém conhece e que não adianta procurar no Google, pois é muito rara mesmo, se torna algo natural para eles. Eles querem se enganar e sonhar com o estrelato. Já o diretor está tão doente psicologicamente que pouco raciocina sobre a proposta do amigo, que por sua vez está cego de raiva e focado em sua vingança. E se alguém se perguntar sobre os assaltos e a falta de notícias deles, o filme resolve com um carro de polícia em uma perseguição bem encenada.

Um dos pontos positivos para isso é o elenco. Nem posso citar a micro participação de Jose Mojica Marins (o eterno Zé do Caixão) que faz uma aparição de segundos em tela que você já viu no trailer. Mas, todo o elenco está bem. Deborah Secco como atriz decadente consegue bons momentos, Bruno Torres como o roteirista e ator, também, assim como sua colega e estagiária no filme vivida por Ana Carolina Machado. Há ainda participações especiais como a de Tonico Pereira e Aramis Trindade em ótimos momentos.

E tem ainda o Marcos Veras, como o pastor Alex, em uma clara alusão a Edir Macedo, com críticas pesadas à indústria da fé e à possibilidade de comprar um canal de televisão para "colocar o que quiser". O ator mantém o seu mesmo estilo exagerado com caras e bocas, mas traz momentos interessantes quando focado na crítica, a junção das duas tramas é que resulta na resolução pouco convincente já citada.
Entrando Numa Roubada, então, não é uma roubada para o espectador, com o perdão do trocadilho. Não é também um grande filme de ação com um roteiro inteligente que nos surpreende e faz pensar. Mas, cumpre o seu papel de diversão, sem maiores explicações ou mesmo buscas por coerência com a realidade. E no final, ainda ficamos nos perguntando se o tal prêmio existia mesmo ou já era parte do plano de Eric.
Entrando numa roubada (Entrando numa roubada, 2015 / Brasil)
Direção: André Moraes
Roteiro: André Moraes
Com: Deborah Secco, Bruno Torres, Júlio Andrade, Lúcio Mauro Filho, Marcos Veras, Ana Carolina Machado
Duração: 78 min.