
A história fantástica já correu o mundo e virou até um documentário. O que Robert Zemeckis e Christopher Browne fazem é humanizar esse equilibrista auto-didata, tornando-o mais próximo de nós e criando uma empatia e uma cumplicidade que nos faça compreender seu sonho e torcer por ele. Mesmo que para isso, utilize a fórmula mais batida que conhecemos, a narração em primeira pessoa e o flashback.

Apesar de burocrática, essa parte inicial é fundamental para a virada em Nova York. Sem ela, seria apenas a apreciação de uma peripécia extravagante explorada em todos os nossos sentidos. É visível a mudança da dinâmica quando o plano começa a ser posto em prática. A equipe que se forma, a maneira divertida como tudo vai sendo conseguido, o jogo do absurdo. Mas, como fomos preparados, estamos também emocionalmente envolvidos e tudo funciona melhor.


O filme acerta ainda em não pesar a mão na emoção em relação ao objeto a ser superado, objeto esse que todos sabemos não está mais lá desde 2001. Provavelmente para os americanos, nova iorquinos em especial, ver as torres ali em pé de maneira tão realista e quase palpável na tela deve ter um impacto. Mas, o filme não põe a mão na ferida deixando tudo mais sutil.
No final das contas, o filme é um grande acerto de Robert Zemeckis que conta uma história por si só já fantástica com efeitos especiais impressionantes e buscando humanizar o seu herói para que juntos possamos fazer essa difícil travessia.
A Travessia (The Walk, 2015 / EUA)
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Robert Zemeckis, Christopher Browne
Com: Joseph Gordon-Levitt, Charlotte Le Bon, Ben Kingsley, Guillaume Baillargeon
Duração: 123 min.