
Gerda Wegener e Einar Wegener são casados, aparentemente felizes e bem estruturados. Ele é um pintor de sucesso, ela ainda busca seu lugar nas artes. Até que resolve utilizar o próprio esposo como modelo, só que transvestido de mulher, dando vida a Lili Elbe. O que ela não sabia era que a personagem ganharia mais força do que qualquer um pudesse prever.

Uma pena, no entanto, que roteiro e direção não conseguem acompanhar tamanha entrega, sendo apenas corretos, quase burocráticos diante de uma história tão impressionante. O roteiro nos guia apenas nessa transformação e a direção nos apresenta sempre os mesmos ângulos. Exagera nos tons, se demora nos planos, repetindo sempre a mesma situação, como se precisasse nos reexplicar a cada cena que Eddie se sente Lili.

E por mais que o óbvio sentimento de Lili nos embale, o que nos emociona de fato é o sentimento de Gerda. O amor completamente entregue daquela mulher que entende a pessoa que tem ao seu lado e abre mão de seus próprios sentimentos de posse para embarcar com ela em uma jornada insólita. Claro que há o choque, a dor, o medo, a quase súplica pelo marido de volta, mas há também a entrega e compreensão extrema que só o amor incondicional é capaz de proporcionar.
A Garota Dinamarquesa é, então, uma história incrível. Com duas atuações impressionantes, mas uma estrutura fílmica básica que poderia ousar mais e nos dar uma obra maravilhosa.
A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl, 2016 / EUA)
Direção: Tom Hooper
Roteiro: Lucinda Coxon
Com: Eddie Redmayne, Alicia Vikander, Amber Heard
Duração: 121 min.