
Diretor de um dos melhores filmes brasileiros dos últimos tempos (Estômago), Marcos Jorge retorna ao universo da periferia para tratar não apenas de vingança, mas de ódio e não aceitação de acontecimentos em suas vidas. Os dois personagens principais são assim. Pessoas com sangue quente que quando descobrem o desvio do destino, decidem revidar, por não achar justo o que aconteceu.

Ainda que o miolo da trama se perca um pouco perdendo o fôlego, há qualidades ali. A apresentação dos personagens, o ritmo da introdução do conflito e a resolução são instigantes, envolventes e até mesmo surpreendentes. Perde um pouco o sentido, o desenvolvimento. As peripécias são frágeis, os próprios personagens ficam perdidos sem saber como agir quando a cabeça esfria e com isso, a situação perde impacto e se torna quase absurda.

Ainda assim, o elenco segura o texto. Todos estão muito bem, desde o pequeno Vini Carvalho e da jovem Thainá Duarte, passando por Adriana Esteves e Milhem Cortaz. Mas, os nomes do filme são mesmo Lázaro Ramos e Babu Santana. À vontade em cena, tornam o embate dos personagens ainda mais intenso e envolvente. Somos capazes de nos ligar a ambos, ao mesmo tempo que não torcemos exatamente por nenhum dos dois.
Mundo Cão nos traz questões sobre os maus tratos de animais, o sacrifício que já foi proibido por lei, o crime organizado, a relação familiar e até religiosa. Os temas poderiam ser melhor trabalhados e aprofundados, porém, traz bons momentos que nos mantem interessados no desenrolar, mesmo com as incongruências.
Um filme, no mínimo, curioso, até por manter Marcos Jorge em um caminho paralelo no cinema nacional. Ainda que sofra da pressão e da sina de não conseguir superar o seu filme de estreia.
Mundo Cão (Mundo Cão, 2016 / Brasil)
Direção: Marcos Jorge
Roteiro: Marcos Jorge, Lusa Silvestre
Com: Lázaro Ramos, Babu Santana, Adriana Esteves, Milhem Cortaz, Thainá Duarte
Duração: 90 min.