
Tudo parte do filme do casamento, bastante desgastado, com poucas imagens. Aos poucos, o fio vai sendo desenrolado e falando das duas famílias, do relacionamento dos noivos, do conturbado casamento e de todo o entorno da época. O que era um casamento, acaba se tornando um retrato de uma mulher com personalidade forte em uma sociedade machista.
É interessante como as camadas vão sendo desvendadas. O próprio tema do casamento acaba não sendo a primeira. Mas o tempo em si. O filme desgastado pelo passar dos anos, suas marcas e a persistência de algumas imagens fez-me pensar na nossa estrutura digital atual, onde os dados podem simplesmente sumir, sem vestígios.

Nesse ponto, o filme realizado de maneira muito simples e honesta acaba pecando na escolha de nos contar alguns sentimentos em voz over da diretora em uma narração muito ensaiada que perde a espontaneidade dos outros momentos de conversa informal, onde Maria Moniz abre sua alma e suas memórias de maneira muito direta.

Isso não chega a inviabilizar o que vemos em tela. Há forças nas imagens e há força na figura de Maria que nos fala sobre sua posição de mulher inquieta, que queria muito mais que um casamento, ainda que quisesse ser mãe. A parte final, dedica maior tempo a isso e torna o documentário ainda mais universal, retratando uma época, uma cultura e um exemplo.
Mônica Simões consegue ainda dinamizar o filme com inserções criativas, como a sessão de fotografias das gerações e a maneira como conduz o roteiro em temas que vão em um crescente claro, partindo do microcosmo ao macro, nos fazendo refletir e embarcar juntos naquela jornada temporal.
Um Casamento (Um Casamento, 2016 / Brasil)
Direção: Mônica Simões
Roteiro: Mônica Simões, Nicolau Vergueiro
Duração: 80 min.