
Eu costumo dizer que Woody Allen é melhor roteirista que diretor. De fato, ele vem das palavras. Mas, definitivamente seus filmes não seriam os mesmo se dirigidos por outra pessoa. E alguns deles também são inimagináveis sem sua atuação.
É o caso de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. Até porque Alvy Singer tem muito do autor. Sua infância, suas neuroses, sua origem judia. Não há como imaginar outro ator em sua pele. As próprias piadas com a televisão, o ofício do stand up que Allen vivenciou no início de carreira. Ele é uma espécie de alter ego, ainda mais com o recurso do roteiro da quebra da quarta parede, onde ele conversa o tempo todo conosco.

Por falar em Diane Keaton ela é o verdadeiro motivo da trama. Tanto que o nome original do filme é Annie Hall. Como disseram no documentário sobre o cineasta, Woody Allen fez o mundo se apaixonar pela atriz através de sua obra. Ainda que ele conte dois casamentos anteriores, é com Annie Hall que Alvy Singer vive seus momentos mais importantes.

A maior divergência do casal, no entanto, está mesmo na visão e ritmo de vida. Ele é novaiorquino por essência. Ela quer ir para a Califórnia. Ele é recluso, ela quer conhecer novas pessoas. Ele odeia o mundo artístico, ela quer mergulhar nele.
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa é essa crônica amorosa com ótimas piadas e situações desconcertantes. Metalinguagem e recursos que ajudam o espectador a discutir a obra junto com a fruição da mesma. Temos a quebra da "quarta parede", as cenas dentro das cenas e também momentos onde os pensamentos das personagens nos são transmitidos.
Mas, o que nos encanta mesmo é a maneira como Woody Allen desnuda o ser humano, ou ele próprio, através de suas neuroses e pensamentos. Sempre com diálogos inteligentes e ágeis. Não por acaso ainda hoje, um dos seus filmes mais emblemáticos.
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1977 / EUA)
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen, Marshall Brickman
Com: Woody Allen, Diane Keaton, Tony Roberts, Carol Kane
Duração: 93 min.