
Sharon Maguire retorna à direção de Bridget Jones após quinze anos do lançamento do primeiro filme. Mesmo sem ter dirigido a sequência de 2004, a diretora consegue manter a sensação de continuação da saga da moça, agora não tão moça e sua vida atrapalhada.
Bridget Jones agora está com 43 anos, ou seja, se passaram onze desde que começou a escrever seu diário. Bem-sucedida diretora de televisão, ela continua solteira e vive sendo cobrada por sua mãe para ter pelo menos um filho. Em um festival de música, ela conhece o belo e sedutor Jack, mas em um batizado acaba reencontrando seu amado Mark Darcy. Poucos meses depois, ela descobre que está grávida, mas não sabe qual dos dois é o pai.

Na verdade, o filme traz os questionamentos naturais da idade e a sensação de solidão que abate a todos em determinado momento da vida. Ao mesmo tempo em que explora bem a questão da liberdade sexual e a possibilidade de uma mulher engravidar sem saber quem é o pai da criança. E não ser julgada por isso. Não há um grande dilema e nem discurso em relação ao tema, as questões discutidas sobre a paternidade são de ordem sentimental e não moral.

Bridget Jones continua atrapalhada, engraçada, carente e decidida. Mas, também amadureceu, afinal, passou dos quarenta anos e viveu muita coisa, inclusive uma tentativa de união estável com Mark Darcy. É interessante acompanhar essa transformação da personagem, ao mesmo tempo em que a vemos lutando para parecer mais jovem do que é. Nesse ponto, até a plástica que a atriz Renée Zellweger fez na vida real acaba colaborando com a construção do perfil da personagem, mesmo que isso não seja citado em cena.
Claro que o filme traz seus exageros como Jones passa pelo momento mais difícil em uma sucessão de trapalhadas onde até a chuva colabora. Aliás, a chuva é bastante conveniente para ampliar o drama em cena em alguns momentos. Some e retorna quase por mágica. Estamos em Londres, dirão alguns, mas não deixa de ser engraçado.
No geral, o filme é aquilo que os fãs esperam. Mais de Bridget Jones com muitas situações engraçadas, ao mesmo tempo em que vemos uma evolução em sua história. Destaque ainda para a participação hilária de Emma Thompson, que também colabora no roteiro, como a médica da protagonista.
O Bebê de Bridget Jones (Bridget Jones's Baby, 2016 / Reino Unido)
Direção: Sharon Maguire
Roteiro: Helen Fielding, Dan Mazer, Emma Thompson
Com: Renée Zellweger, Colin Firth, Patrick Dempsey, Gemma Jones, Jim Broadbent, Jessica Hynes, Emma Thompson
Duração: 123 min.