
Grande vencedor do Festival de Brasília desse ano, A Cidade Onde Envelheço é uma obra sobre adaptação e inquietação ao mesmo tempo. Uma poesia que instiga e, talvez por isso, nos traga sensações também de angústia em alguns momentos de contemplação.
Teresa e Francisca são duas jovens portuguesas na cidade de Belo Horizonte, no Brasil. Francisca já vive lá há um ano, trabalha como garçonete e gosta de sua liberdade, tendo amigos, mas não se vinculando demais a ninguém. Só que Teresa acaba de chegar e fica em sua casa, criando alguns atritos pela mudança da rotina e necessidade de convivência diária.

O filme se faz nos detalhes, nas pequenas cenas aparentemente despretensiosas que criam significados. Como, por exemplo, a cena em que as duas discutem o acabamento do banheiro de um apartamento que visitam. Toda a discussão sobre intenções, cuidados e comparações estão carregadas de significados "colônia e metrópole". Ainda assim, é extremamente divertida.

Há, no entanto, uma construção de personagens um pouco superficial. Teresa, por exemplo, não sabemos o que faz da vida, nem como se vira ali naquela cidade. Não sabemos muito como pensa, o que quer da vida. Ainda que Francisca tenha um pouco mais de sua personalidade exposta, também não é muito, tanto que as decisões que toma no final ficam também soltas.
De qualquer maneira, isso não invalida a bela experiência. Francisca e Teresa são como diversas pessoas que nos cercam. Temos apenas o superficial que nos apresentam. Pouco sabemos, de fato, de suas almas. Elas simplesmente passam por nós, deixam algo e levam algo.
A Cidade Onde Envelheço é poesia desde o próprio título da obra.
Filme Visto no XII Panorama Internacional Coisa de Cinema.
A Cidade Onde Envelheço (A Cidade Onde Envelheço, 2016 / Brasil)
Direção: Marília Rocha
Roteiro: Marília Rocha, João Dumans, Thais Fujinaga
Com: Elizabete Francisca Santos, Francisca Manuel, Paulo Nazareth
Duração: 99 min.