
Música e romance parecem ser a tônica da obra de John Carney. E aqui, ele retorna aos anos oitenta, na Irlanda para falar essas duas coisas podem ajudar a salvar um jovem sonhador da dura realidade em mais um belo filme.
Conor é esse jovem. Seus pais vivem brigando e estão prestes a se separar. A vida financeira da família não vai bem e ele tem que ser transferido para outro colégio. Lá, o padre que coordena o local pega no seu pé, ao mesmo tempo em que um jovem valentão também implica com ele. Mas ao ver uma bela garota que sonha em ser modelo ele tem a ideia de chamá-la para ser a atriz do clipe de sua banda. E como ela topa, só falta ele criar a banda.

Uma vez a banda criada, a rotina de Conor se divide entre colégio, ensaios, composições e gravações. As músicas são boas e mesmo os vídeos são criativos e bem planejados, o que torna a apreciação do filme um prazer estético. Não temos apenas adolescentes brincando de arte, temos arte em cena, com toda a nostalgia que os anos 80 trazem.

Outra questão interessante no roteiro é que, apesar de alguns estereótipos e estrutura básica parecidas dos filmes teens norte-americanos dos anos 80, não temos aqui a supremacia dos clichês. As aparências vão sempre sendo desmistificadas com reviravoltas interessantes. As personagens vão sendo aprofundadas e até mesmo o "valentão" acaba construindo uma trajetória interessante. Isso só enriquece a experiência e o universo ficcional onde se passa a obra. Torna tudo mais palpável e fácil de criar empatia.
Ainda que tenha seu ponto melancólico, com problemas pessoais e coletivos em uma Irlanda em crise, onde o sonho dos jovens é sair dali, Sing Street é um filme leve com um certo frescor otimista. Algo que não deixa a chama do sonho juvenil se apagar mesmo com as dificuldades vividas. Daqueles que nos fazem sentir bem após a projeção.
Sing Street – Música e Sonho (Sing Street, 2017 / Irlanda / Reino Unido)
Direção: John Carney
Roteiro: John Carney
Com: Ferdia Walsh-Peelo, Aidan Gillen, Maria Doyle Kennedy
Duração: 106 min.