
Esperando Beyoncé, é exatamente isso que um grupo de fãs está fazendo durante toda a projeção do documentário Waiting for B., que mostra, além do fanatismo pela cantora, a curiosa relação que surgem entre eles ao acamparem por dois meses na porta do estádio do Morumbi.
Uma loucura, poderão pensar alguns. E não deixa de ser mesmo. Todo esse sacrifício é para pegar o melhor lugar na frente da grade e tentar uma troca de olhares que seja com a estrela no palco. Pode parecer pouco, mas para quem é fã é muito, vide o choro deles ao conseguir uma foto com pessoas da equipe.

Mas o melhor do documentário é não ficar apenas nessa relação de fã e sacrifícios, mas buscar entender essas pessoas que se dispõem a ficar dois meses de vigília. O que fazem da vida, a relação que surgem entre eles durante o acampamento, as regras de convivência que criam. Inclusive, é importante ressaltar que eles não ficam todos lá esse tempo inteiro, há um revezamento que os permitem continuar a vida, como trabalho ou passar em casa.
Nessas poucas cenas de passagens nas casas de alguns deles, vemos a relação com a família. Em um deles, é possível perceber um visível incômodo de uma mãe e um irmão. A mãe tenta conversar com o rapaz, ignorando a câmera, mas dá algumas olhadas desconfiadas para ela. Já o irmão, simplesmente sai da sala, irritado. Já em outra casa, a mãe parece mais natural e até ajuda a filha.

Um paralelo extremamente pertinente acaba acontecendo em uma noite de jogo do São Paulo no estádio. Os jovens ficam todos acuados, observando a torcida chegando, os gritos de guerra, as provocações com o time adversário, temendo algum confronto direto. Mas o que o filme acaba nos mostrando é que esse fanatismo pelo futebol e por um time acaba sendo mais compreendido e aceito pela sociedade que a dos jovens homossexuais e pobres que estão ali por Beyoncé. Por que é permitindo fazer loucuras por um time e não por uma cantora? Fica a reflexão, principalmente quando um torcedor interpela eles perguntando sobre que dia é o show e porque estão tão cedo ali.
No final, Waiting for B. é um estudo curioso sobre jovens, relações humanas e também sonhos e cultura de fãs. E o fato de nunca mostrar Beyoncé em tela acaba criando também uma curiosidade e uma aura ainda mais encantada para a artista. Muitos, provavelmente, saem da sessão querendo ouvi-la para sentir um pouco dessa energia.
Waiting for B. (Waiting for B., 2017 / Brasil)
Direção: Paulo Cesar Toledo, Abigail Spindel
Roteiro: Paulo Cesar Toledo, Abigail Spindel
Duração: 91 min.