
O Capitão Jack Sparrow está de volta para alegria de uns, tristeza de outros. A personagem acabou se mesclando tanto em seu intérprete que tudo que vemos de Johnny Depp a partir de então parece soar um pouco como o atrapalhado pirata. Isso acabou desgastando sua imagem ao ponto de que, ao vê-lo entrar em cena aqui, o filme parece perder força ao invés do contrário.
Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar tenta retomar a fórmula da trilogia original, onde Sparrow era apenas um secundário que roubava a cena e era adjuvante do herói. O casal William Turner e Elizabeth Swann, vividos por Orlando Bloom e Keira Knightley até são resgatados, mas quem conduz mesmo a trama é o filho deles, Henry Turner, interpretado por Brenton Thwaites. A astrônoma acusada de feitiçaria Carina Smyth, vivida por Kaya Scodelario faz a nova parceria, construindo também o velho jogo de amor e ódio entre um casal que espera-se ver junto no final.

Estrutura montada, não há muito segredo do que virá pela frente. Piratas do Caribe mantém o seu ritmo ágil, mesclando aventura, cenas de batalha e comédia. A longa duração aqui não parece criar uma sensação de cansaço como o filme anterior, devido a quantidade de peripécias construídas pelo roteiro. É uma estrutura muito próxima mesmo do primeiro filme, com apresentação de personagens e pequenos arcos que vão se resolvendo antes da aventura maior. E muitos deles funcionam muito bem, principalmente o prólogo.
Já o primeiro arco de Jack Sparrow soa cansativo e exagerado, reforçando a imagem desgastada da personagem. Desde sua aparição bêbado em um certo local até a corrida pela cidade, que parece acumular absurdos e excessos. Nessa primeira parte, o fato mais divertido é a participação do eterno beatle Paul McCartney como o tio Jack, o que ainda faz uma piada interna ao intérprete do pai do pirata, Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones. Ainda assim, o pirata consegue se mesclar bem na trama do novo casal em busca do tridente e lutando contra britânicos e fantasmas, já que a guarda inglesa está atrás dos três.

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar é mais do mesmo, é verdade, mas pelo menos é um mais do mesmo que repete os pontos positivos da saga, tentando minimizar os negativos. O que acaba tornando-o um dos melhores dos cinco filmes. A cena pós-créditos (já tradição da franquia) dá abertura para novas aventuras, ou pode ser simplesmente uma piada final dos produtores. A gente só espera que qualquer retorno ao mar tenha uma justificativa maior do que simplesmente aproveitar mais um sucesso de bilheterias. E, definitivamente, Johnny Depp precisa repensar sua imagem desgastada para não matar a memória afetiva de uma personagem tão querida.
Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales, 2017 / EUA)
Direção: Joachim Rønning, Espen Sandberg
Roteiro: Jeff Nathanson
Com: Johnny Depp, Geoffrey Rush, Javier Bardem, Brenton Thwaites, Kaya Scodelario, Orlando Bloom, Keira Knightley
Duração: 129 min.