
Navios de Terra é daqueles filmes chamados de híbridos, Entre o documental e a ficção, nos fala de temas caros à atualidade. Indo desde a exploração de minério que devasta montanhas, à tragédia ambiental de Mariana.
Acompanhamos o protagonista, sem nome, interpretado por Rômulo Braga, que é ex-minerador e agora marinheiro nesse navio que carrega a terra da montanha para a China, em uma jornada literal e simbólica que nos conduz por imagens de impacto e contos lendários.
A maneira como Rômulo, e, consequentemente nós, ouvimos seu companheiro oriental Shina falar sobre os conhecimentos antigos, em língua nativa, acaba nos transportando para um tempo passado onde a tradição oral nos nutria e o homem tinha uma noção maior de como lidar com a natureza.

Simone Cortezão fala de tudo um pouco através de simbologias. A ideia de construir boa parte de sua jornada a bordo de um navio cargueiro nos traz exatamente esse paralelo com a força da água, que é transformação. E que também é símbolo de exploração, descobrimento.
A chegada na China quebra um pouco esse tom, mas traz também sua beleza, no resgate ancestral, nas lendas já desenvolvidas durante a projeção, do próprio contraste da paisagem, das pessoas. E tudo que traz o protagonista nessa jornada.
É impressionante como nos vemos hipnotizados por aquelas imagens e embarcamos em uma grande reflexão sobre nossas próprias atitudes. Um filme que fica em nossa mente reverberando ainda por algum tempo.
Filme visto no 6º Olhar de Cinema de Curitiba.
Navios de Terra (Brasil, 2017)
Direção: Simone Cortezão
Roteiro: Simone Cortezão
Com: Rômulo Braga
Duração: 70min.