
A literatura infantil brasileira sempre foi rica e vasta. Já filmes parecem carecer de um mercado mais consistente. No passado, tínhamos os Trapalhões e Xuxa, porém, crianças em tela, é algo mais raro. Aos poucos, elas vão chegando. E isso é um bom sinal.
Detetives do Prédio Azul é mais do que uma tentativa de filme infanto-juvenil. Na verdade, a obra já faz sucesso há dez anos na televisão. Série original criada por Flávia Lins, que, em sua sétima temporada, sofreu transformações com mudança do elenco principal, que cresceu, mas manteve o sucesso, tanto que a nova temporada já está confirmada. Uma boa solução encontrada nessa mudança foi não apenas mudar os atores, como também os três protagonistas, criando assim uma passagem de geração, de fato. O que tornou possível uma reunião nostálgica dos seis no longa-metragem.

O tom do filme é divertido, envolvendo mesmo os adultos com a pureza e criatividade da imaginação infantil. O mundo mágico dos bruxos tem forte influência de Harry Potter, desde retratos falantes, passando por escola de magia e até mesmo uma batalha de raios onde vilão com raio vermelho e herói com raio verde lembram muito a batalha final de Harry e Voldemort. Ainda assim, há um tom original na obra, através de personagens cativantes e um universo bastante conhecido da infância, com amigos de prédio e clubes secretos.
A inclusão dos três protagonistas anteriores não parece tão natural no roteiro, pelo menos não a de Tom e Capim. Afinal, se bastava apontar o objeto mágico para uma foto, porque não para os desaparecidos? Ainda assim, é justificável a homenagem e nostalgia. E o melhor é que, apesar deles estarem lá e ajudarem na missão, são as três novas crianças que protagonizam de fato a solução da aventura, eles são os novos heróis, sendo os anteriores apenas mentores. Isso é importante.

O filme Detetives do Prédio Azul cumpre, então, sua principal função. É uma aventura divertida e envolvente, que traz personagens conhecidos como protagonistas da ação. O roteiro não força situações exageradas, nem abusa da boa vontade do espectador, ainda que tenha seus truques e questões poucos resolvidas. A direção também é correta, buscando sempre o olhar da criança, com câmeras baixas e é dinâmica nas cenas de investigação, dando um ritmo ágil para a trama.
Uma bela forma de aproveitar um sucesso televisivo com uma aventura que não é um episódio estendido nem uma subversão do universo ficcional com algo estranho a ele, como no caso de Carrossel. Tomara que o cinema nacional comece a investir em novas aventuras infanto-juvenis para que possamos ter obras com cada vez mais qualidade.
Detetives do Prédio Azul (D.P.A.) - O filme (2017, Brasil)
Direção: André Pellenz
Roteiro: Flávia Lins, L.G. Bayão
Com: Letícia Braga, Anderson Lima, Pedro Henriques Motta, Tamara Taxman, Ronaldo Reis, Caio Manhente, Letícia Pedro, Cauê Campos, Mariana Ximenes, Aílton Graça, Maria Clara Gueiros e Otávio Müller
Duração: 90 min.