
Autor de ótimos suspenses como Os Outros e Morte ao Vivo, assim como bons dramas, a exemplo de Mar Adentro, Alejandro Amenábar já provou talento tanto na direção quanto como roteirista. Porém, em Regressão ele acaba criando uma mistura indigesta e confusa que não empolga em nenhum momento.
Ethan Hawke é Bruce Kenner, um policial que investiga um caso de abuso sexual de uma garota por seu pai. O homem não se lembra de nada, mas aceita a acusação, o que intriga os policiais. Quando um psicólogo que tratava com hipnose entra no caso, tudo fica ainda mais complexo, envolvendo uma seita satanista e outros mistérios familiares.

As cenas de pesadelo envolvendo a seita são bem dirigidas, construindo uma atmosfera tensa, costurando bem o jogo de verdade ou fantasia. As sombras também são bem utilizadas e mesmo as incongruências naturais em sonhos são conduzidas de maneira eficiente. Porém, não passa disso.

Ethan Hawke sustenta bem o progressivo estado de obsessão de sua personagem. O policial se envolve profundamente no caso, ouvindo as fitas em todos os momentos livres, estudando seitas em livros e filmes, investigando os familiares da moça. Já Emma Watson não consegue emplacar uma atuação marcante, alterna entre bons e maus momentos não dando a Angela o tom necessário para o que está por vir.
Regressão acaba sendo um filme apenas curioso que poderia ser muito mais. Principalmente por ser criação de um diretor e roteirista que já provou ter talento para grandes obras. Uma pena.
Regressão (Regression, 2015 / Espanha, Canadá)
Direção: Alejandro Amenábar
Roteiro: Alejandro Amenábar
Com: Ethan Hawke, David Thewlis, Emma Watson, Lothaire Bluteau, Dale Dickey
Duração: 107 min.