
Baseado no romance de Stephen King, A Torre Negra é daqueles filmes que não empolga, mas também não é uma bomba anunciada. Seu maior pecado talvez seja não ousar. Cenário, tema, roteiro, efeitos, direção, trilha, tudo soa mais do mesmo.
A trama é conhecida, um garoto aparentemente normal que é uma espécie de "o escolhido" em um mundo mágico paralelo que ninguém acredita existir. Aqui, há uma metáfora interessante típica da obra do escritor de uma torre negra que mantem o universo protegido de demônios e que pode ser destruída pelo cérebro de uma criança.

O filme não chega a ser tão profundo. A ideia é apenas uma aventura mágica onde um pistoleiro, interpretado por Idris Elba, parece ter esquecido seu código e só pensa em se vingar do mago, interpretado por Matthew McConaughey. E no meio deles, o garoto Jake Chambers, vivido por Tom Taylor, um cérebro especial, que tem sonhos com o mundo onde a batalha é travada e parece ser o único capaz de destruir ou salvar o mundo.

A construção do garoto que vê o que ninguém vê e é taxado como louco é que acaba sendo um calo. Não exatamente pela repetição do clichê, mas pelos estereótipos construídos, como o psicólogo, o padrasto e até mesmo a mãe. Tudo soa estranho e tolo, em uma lógica do exagero que busca o efeito da vitimização do protagonista, incompreendido que terá que provar estar certo de alguma maneira.
A Torre Negra acaba sendo daqueles filmes que ficam na faixa média, não marcam, não envolvem, não provocam grandes efeitos. Entretém no momento, podem servir de porta de entrada de ideias e reflexões, porém são facilmente esquecíveis. Uma pena, pois tinha grande potencial.
A Torre Negra (The Dark Tower, 2017 / EUA)
Direção: Nikolaj Arcel
Roteiro: Akiva Goldsman, Jeff Pinkner, Anders Thomas Jensen, Nikolaj Arcel
Com: Idris Elba, Matthew McConaughey, Tom Taylor
Duração: 95 min.