
Um dos pintores mais consagrados da história, Van Gogh vendeu apenas um único quadro em vida, morreu pobre, tachado como louco por muitos. Sua existência fascina tanto quanto seus quadros, peculiares com um estilo psicodélico que são capazes de nos fazer embarcar em sensações diversas através de seus traços únicos e suas cores vivas.
Embevecidos pela estética do mestre expressionista, os diretores Dorota Kobiela e Hugh Welchman foram ao extremo da admiração ao construir um filme com pinturas à mão, simulando o estilo do pintor a cada frame. O resultado é uma experiência visual única. Cada quadro salta, de fato, em tela, evocando sentimentos, sensações e nos fazendo embarcar nesse mundo próprio e autoral.

Talvez, em vez de investir em uma narrativa tão linear e clássica, fosse mais coerente ousar também no roteiro, construindo algo mais próximo do surrealismo ou de experiências menos cognitivas. Ou talvez isso acabasse sendo um excesso, já que a direção de arte arrojada já demanda dos espectadores sentidos mais apurados.

A narrativa se desenvolve a partir da investigação do rapaz. Primeiro, ele busca Theo Van Gogh para entregar a última carta do irmão. Quando descobre que este também morreu, resolve ir atrás do médico que cuidou do pintor em seus últimos anos de vida. Na cidadezinha de francesa de Arles, ele ouve o depoimento de diversos moradores, muitos pontos de vistas controversos que o levam a imaginar o que de fato teria acontecido.
No final das contas, quem o matou pouco importa, Com Amor, Van Gogh é um espetáculo estético que encanta por sua forma, sendo a investigação mais um pretexto para nos aproximar do artista, buscando um pouco mais do que seus quadros nos dão.
Com Amor, Van Gogh (Loving Vincent, 2017 / Reino Unido)
Direção: Dorota Kobiela, Hugh Welchman
Roteiro: Dorota Kobiela, Hugh Welchman, Jacek Dehnel
Com: Douglas Booth, Jerome Flynn, Robert Gulaczyk, Saoirse Ronan
Duração: 94 min.