
Sádico, essa poderia ser a melhor classificação para Boa noite, mamãe. O filme austríaco que aterrorizou plateias lida com elementos do terror de maneira diferente dentro da mesma narrativa. Mas parece ter prazer em nos torturar com imagens que muitas vezes não fazem sentido, apenas para ter o fetiche da dor.
Na trama, dois irmãos aguardam sozinhos sua mãe que retorna de uma estranha cirurgia na face. Recusando-se a falar com Lukas, ela se dirige apenas ao filho Elias. Logo, os irmãos começam a desconfiar que esta não seja sua mãe verdadeira, mas alguma mulher má que não se sabe por que, quer separá-los.

Dividido em dois momentos muitos distintos, o filme nos coloca no ponto de vista dos garotos. E por toda uma primeira parte compramos a ideia da mãe esquisita e do perigo real. Porém, em determinado momento, ainda que continuemos com os meninos, a mudança de atitude deles começa a nos fazer questionar a legitimidade de seus medos.

Há ainda o excesso de violência dessa segunda parte. A obra, então, demonstra-se mesmo adepta do sadismo, construindo cenas de pura tortura visual que angustiam o espectador em diversos níveis. Nisso é preciso destacar o trabalho de maquiagem e pequenos efeitos especiais devido ao realismo de alguns momentos. Porém, acaba tirando a imersão da trama ao nos fazer questionar a necessidade de algumas coisas.
Tais questões só trazem algum alento de sentido com interpretações simbólicas, seja do trauma, da questão do irmão gêmeo ou mesmo da relação mãe e filho. Talvez Freud explicasse, ou não. O fato é que Boa noite, mamãe tem qualidade técnica e sabe construir bem sua atmosfera, mas o excesso da violência gratuita, com quase um prazer pela tortura, assim como sua trama pouco crível, acabam contando negativamente para o conjunto da obra.
Boa noite, mamãe (Ich seh ich seh, 2014 / Austria)
Direção: Severin Fiala, Veronika Franz
Roteiro: Severin Fiala, Veronika Franz
Com: Lukas Schwarz, Elias Schwarz, Susanne Wuest
Duração: 99 min.