
Uma declaração de amor a um tio controverso, mas que se tornou a figura paterna de um garoto, quando este perdeu o seu pai. Isso é o documentário Meu tio e o joelho de porco. Mais do que uma cinebiografia sobre o controverso criador da banda punk paulista, o filme é um resgate de um sobrinho pela memória de seu parente mais próximo.
E como toda boa homenagem, relativiza os problemas do homenageado, exagerando nos elogios. Não que existam inverdades na obra, ou mesmo que não estejam ali os diversos defeitos de um homem muitas vezes irresponsável, seu envolvimento com drogas e todos os compromissos profissionais quebrados. Porém, há uma lente intencionalmente apaixonada na figura de Tico Terpins.

A linguagem também é criativa. Rafael cruza a cidade à bordo de um velho Landau azul. A situação precária do carro acaba se tornando uma espécie de gag em diversos momentos. Ao seu lado, ele tem um boneco do tio, que interfere na trama em diversos momentos, utilizando técnicas de animação também diversas.

Punk por falta de uma definição melhor, como diz um dos depoimentos, a banda Joelho de Porco e seu som satírico e anárquico é resgatado e representado em diversos trechos de shows. Há também entrevistas e imagens caseiras de arquivo que ajudam a demonstrar para os espectadores que não tem familiaridade com a banda a dimensão de tudo aquilo.
Ainda que não questione ou faça uma análise crítica da banda ou do seu artista, Meu tio e o joelho de porco acaba sendo um filme divertido e emocionante. Por mais que traga o olhar pessoal do cineasta, dialoga com todos, fãs ou não da banda.
Filme visto no 22º Cine Pe.
Meu tio e o joelho de porco (2018 / Brasil)
Direção: Rafael Terpins
Roteiro: Rafael Terpins
Duração: 90 min.