
As questões da maternidade, a constituição familiar, a dedicação das mulheres aos filhos, tudo isso já foi retratado em filmes, mas talvez nunca de maneira tão verdadeira como em Tully.
Na trama, Charlize Theron é Marlo, uma mulher com dois filhos e grávida de um terceiro. Seu segundo filho ainda tem características “peculiares” que acabam tomando ainda mais sua atenção. E quando a pequena Mia nasce, ela percebe que está no limite da estafa física, aceitando o presente de seu irmão de contratar uma babá noturna. É quando Tully entra em sua vida.

Tully traz isso de maneira orgânica e verdadeira, construindo essa tragédia cômica da rotina da vida. Algo que poderia ser banal, mas que é conduzido com muita sensibilidade, nos envolvendo e encantando, mesmo que alguns plots ou mesmo as revelações finais não pareçam tão inovadoras.
O diretor Jason Reitman e a roteirista Diablo Cody já haviam conseguido algo parecido com Juno, ao retratar a gravidez na adolescência. Aqui, eles dialogam com outra faixa etária, mantendo a boa construção de personagens e trama.

Há uma busca na trajetória de Marlo por retornar a si mesma, reencontrar a mulher que foi antes de ser uma mãe. Uma angústia que muitas mulheres passam ao perceber que vão anulando sua individualidade para se tornarem funções dentro de uma família. A mãe, a esposa, a dona da casa.
Tully é um filme que não inova no formato, nem mesmo impressiona pela criatividade do seu roteiro, que tenta nos fazer uma surpresa sem muito impacto. O frescor dele está mesmo nesse sensível retrato de algo tão real e palpável que nos envolve sem precisar de muitas peripécias.
Tully (Tully, 2018 / EUA)
Direção: Jason Reitman
Roteiro: Diablo Cody
Com: Charlize Theron, Mackenzie Davis, Mark Duplass
Duração: 95 min.
Hugo · 355 semanas atrás
Este novo filme ainda preciso conferir.
Bjos
Kamila 76p · 355 semanas atrás