
Estreando no Festival de Veneza de 2017 de onde saiu com o prêmio de melhor atriz para Charlotte Rampling, Hannah é uma obra difícil de classificar, pois transita à margem de gêneros e fórmulas, ainda que siga uma certa cartilha.
Acompanhando a rotina de sua protagonista, o roteiro traz uma certa curva tradicional com ponto de ataque e clímax bem definidos, ainda que se estruture em um ritmo contemplativo e alternativo.

O que vemos na obra é uma atmosfera que paira no ar, como se tudo que importasse estivesse no não dito. No que não pode ser explicitado e nunca o é de fato, ainda que alguns acontecimentos tragam um certo clímax e cenas de fortes emoções em momentos chaves como um bolo de aniversário, um choro no banheiro ou uma descoberta atrás do armário.

Quase sem trilhas, com um desenho de som também bem minimalista, o filme busca um realismo do arrastar dos dias, do cansaço, até de uma certa falta de perspectiva. Construindo esse efeito de aproximação com a protagonista e busca por empatia. Há uma força e imersão na experiência que nos envolve.
Hannah não é um filme simples, não entrega seus segredos com facilidade e escolhe por deixar muita coisa no ar, subentendida. Pode soar cansativo e mesmo enfadonho em sua rotina, mas traz uma delicadeza e uma riqueza fílmica que chama a atenção para o jovem cineasta Andrea Pallaoro e já deixa expectativas para seu terceiro longa-metragem, Monica, que está em produção.
Hannah (Hannah, 2017 / Bélgica)
Direção: Andrea Pallaoro
Roteiro: Andrea Pallaoro, Orlando Tirado
Com: Charlotte Rampling, André Wilms, Stéphanie Van Vyve
Duração: 95 min.