
Considerado o melhor filme do Festival de Gramado pelo júri popular e pelo júri da crítica, Benzinho é uma obra especial em diversos aspectos porque traz uma verdade muito própria para a tela, com uma narrativa gostosa de acompanhar, personagens carismáticos e questões a qualquer mãe, como a síndrome do ninho vazio.
Irene é uma mulher típica de classe média que se divide entre o cuidado da casa e dos filhos com bicos para ajudar nas finanças da casa, já que seu marido está passando por dificuldade em sua pequena livraria de bairro e vive sonhando com planos maiores do que pode alcançar. Sua irmã também passa por uma crise pessoal, separando do marido agressivo e indo morar com o filho na sua casa. Para completar, seu filho mais velho é convidado para morar na Alemanha, antecipando uma separação para a qual ela ainda não estava preparada.

São por imagens assim e construções poéticas diversas, na montagem ou em planos bem trabalhados, que o filme ganha a crítica especializada. Uma obra com sensibilidade para tratar sentimentos no limiar entre a emoção autêntica e o exagero melodramático, corajoso em construir momentos sublimes de dor e alegria como uma mãe cantando e dançando na cozinha tarde da noite. E que brinca com as possibilidades daquela atrapalhada e carismática família.

Um filme que chama a atenção do público em geral, por sua verdade em tela. Pela maneira como trabalha risos e lágrimas de maneira tão fluída, emocionante e divertida ao mesmo tempo. Com dramas capazes de nos identificarmos de alguma maneira. E que nos mostra que o popular pode ser trabalhado para agradar os mais diversos públicos.
Acima de tudo,como induz o título, trata de um filme de afetos. Do amor entre uma mãe e um filho. Do apoio e suporte em uma relação entre duas irmãs. Do ritmo de conflitos e superações de uma família de classe média. De sonhos e vislumbres de um futuro melhor, que é inerente a qualquer ser humano.
Benzinho destaca-se no cenário nacional, construindo uma bela ponte entre intelecto e emocional. Um filme tecnicamente bem feito que nos envolve e emociona. Daquelas experiências que nos faz sair do cinema sorrindo e ainda reverbera por muito tempo.
Benzinho (Benzinho, 2018 / Brasil)
Direção: Gustavo Pizzi
Roteiro: Gustavo Pizzi, Karine Teles
Com: Karine Teles, Otávio Müller, Adriana Esteves, Konstantinos Sarris, Mateus Solano, César Troncoso
Duração: 95 min.