
A relação mãe e filha já foi trabalhada em diversos aspectos no cinema, mas O Vazio do Domingo traz algo ao mesmo tempo inusitado e tão comum que é esse simbólico do arquétipo materno que influencia qualquer ser humano.
Chiara foi abandonada por sua mãe quando era pequena. Agora, depois de trinta anos, ela não quer um pedido de desculpas, uma reparação financeira, nem mesmo ser reconhecida como filha. O que ela pede é muito simples: passar dez dias com sua mãe em uma vila remota onde vive entre a Espanha e a França.

Ramón Salazar respeita o tempo e ritmo desse incomodo reencontro. Há muitos planos contemplativos, principalmente na isolada casa onde ficam. Os sons são trabalhados com leveza, ambientando o espectador que quase se transporta para aquela experiência, buscando tal qual a mãe Anabel compreender o que Chiara deseja dela e o que pode ser feito diante dos acontecimentos passados.

Ainda assim, a narrativa comete os seus excessos e incongruências que nos pode tirar da trama em diversos momentos. É como se Ramón Salazar quisesse guardar tanto a revelação final que acaba desvirtuando a própria curva dramática em situações over e estranhamentos que não parecem verossímeis.
De qualquer maneira, o filme impacta. Tem uma verdade em tela e consegue atingir os espectadores ao trabalhar esse amor entre mãe e filha ao mesmo tempo que essa dor do abandono e busca desesperada pelo preenchimento do vazio.
O Vazio do Domingo (Sunday's Illness, 2018 / Espanha)
Direção: Ramón Salazar
Roteiro: Ramón Salazar
Com: Bárbara Lennie, Susi Sánchez, Greta Fernández
Duração: 113 min.