
Ficção científica com ideias de diversos outros filmes e pouco aprofundamento do tema, Tau acaba sendo mais uma aposta frustrada da Netflix de emplacar uma grande obra de ficção. Mas não chega a ser completamente inválida.
A trama gira em torno da jovem Júlia, sequestrada e colocada como cobaia junto a outras duas pessoas em um estranho laboratório controlado por Tau, uma inteligência artificial desenvolvida pelo misterioso Alex. Após um plano frustrado de fuga, ela irá se aproximar de Tau e tentar compreender o que significa tudo aquilo, enquanto descobre uma forma de sair.

A relação entre Julia e Tau acaba se desenvolvendo nesse jogo de confidências, criando um sentimento, tal qual o filme Ela, onde a personagem de Joaquin Phoenix acaba se apaixonando pela voz, construindo uma relação sentimental com a mesma. Porém, aqui, a motivação de ambos acaba sendo frágil e pouco convincente. Até porque falta profundidade às personagens e ao experimento em si, que não é bem explicado em nenhum momento.

Alex, o cientista, também não parece bem desenvolvido. Sua motivação acaba sendo apenas ganhar dinheiro, já que não se explica bem o que ele está buscando de fato. Sua tendência sádica em torturar a inteligência artificial demonstra uma falta de controle que não combina com o auto-controle que ele parece ter em diversos momentos. Inclusive com exercícios para diminuir batimentos cardíacos.
Na verdade, Tau acaba sendo um rascunho, tal qual o experimento de Alex que não consegue chegar a um objetivo claro. Tenta uma relação a partir de diversas referências, mas mesmo o suspense inicial é logo dissipado por uma sequência de situações curiosas, mas que pouco empolgam. Uma pena. Tinha potencial para muito mais.
Tau (Tau, 2018 / Estados Unidos)
Direção: Federico D'Alessandro
Roteiro: Noga Landau
Com: Maika Monroe, Ed Skrein, Gary Oldman
Duração: 97 min.