
Como um tabuleiro de jogo de detetive, Entre Facas e Segredos se apresenta em tela. Um escritor de sucesso é encontrado morto após sua festa de 85 anos em sua mansão. Todos os familiares e empregados são suspeitos por mais que os laudos indiquem suicídio. E cabe ao detetive Benoit Blanc desvendar esse mistério.
Uma mistura bem feita de humor, suspense e investigação faz do novo filme de Rian Johnson um daqueles achados divertidos e inteligentes que é gostoso de acompanhar. A trama vai sendo enredada e desvendada aos poucos, construindo bem a jornada irônica da família interesseira e artimanhas que envolvem o crime.

As personagens não precisam ser aprofundadas aqui para que os dispositivos funcionem. Há ironia dramática em suas construções, em especial de Marta, peça-chave de todo o mistério. Enfermeira e pessoa mais próxima do falecido nos últimos tempos, tem um peculiar problema, não consegue mentir. Sempre que o faz, ela acaba vomitando.

Uma ilustração comum dos jogos psicológicos que vivenciamos, entre o dito e o não dito. E, nesse ponto, o fato de Marta não poder mentir deixa tudo ainda mais instigante. Torna o jogo mais profundo e as revelações mais impactantes, em especial as reviravoltas que vão sendo orquestradas a cada momento.
Mesmo com a narrativa concentrada quase toda na mansão, a direção consegue trazer uma boa dinâmica para obra. Os diálogos são ágeis, os flashbacks entram de maneira orgânica e a investigação é orquestrada nos detalhes.
Entre Segredos e Facas lembra os bons romances de Agatha Christie, mas vai além ao trazer esse tom irônico e bem humorado de uma crítica social inteligente.
Entre Facas e Segredos (Knives Out, 2019 / EUA)
Direção: Rian Johnson
Roteiro: Rian Johnson
Com: Daniel Craig, Chris Evans, Ana de Armas, Michael Shannon, Don Johnson, Toni Collette
Duração: 130 min