
Em um mundo em que a computação gráfica se tornou essencial para os filmes de animação e o formato 3D parece ser o mais atraente aos olhos dos pequenos, Klaus é um ponto fora da curva. Ainda mais se pensarmos que é mais um filme de Natal em um catálogo já tão vasto do gênero. Em todos os aspectos, ele surpreende.

O espírito local é de ódio. Quem não se adere à briga eterna das duas famílias só tem um pensamento, ir embora o mais rápido possível. Como a professora Alva, que, ao não ter alunos para ensinar, transformou a escola em uma peixaria. O mistério fica por conta de um marceneiro que vive no alto da montanha e o encontro dele com Jesper é que vai mudar a rotina local e o destino de todos.

Mas o que chama a atenção mesmo em Klaus é a técnica de animação. Sergio Pablos, que já trabalhou nos estúdios Disney e é co-criador de Meu Malvado Favorito, resgata a técnica de pintura a mão que faz toda a diferença no efeito final da obra, mesmo que a finalização tenha sido com o auxílio do computador.
A textura e cores dos cenários, o design das personagens, a criatividade dos detalhes, tudo encanta aos olhos. E ainda faz eco à arte da construção artesanal dos brinquedos feitos por Klaus para as crianças. Há uma pureza de gestos, ainda que ingênuos, que cria um sentimento bom, de acolhimento, distante da frieza de animações cada vez mais impessoais.
Klaus é um filme singelo que nos ganha nos pequenos gestos. Tem uma história clichê, mas construída com um ângulo novo, com um formato criativo e que demonstra ter alma. Talvez por isso tenha encantado a tantos.
Klaus (Klaus, 2019 / Espanha / Reino Unido
Direção: Sergio Pablos, Carlos Martínez López
Roteiro: Sergio Pablos
Duração: 96 min.