
Não é novidade que a Pixar sabe criar roteiros com camadas capazes de atingir diversos públicos. Dois irmãos: Uma jornada fantástica mantém a fórmula e ressignifica elementos para nos apresentar uma aventura singela e cheia de emoções sobre dois irmãos, um pai falecido e um mundo mágico esquecido.
O universo ficcional traz a estrutura de nosso mundo atual, só que habitado por criaturas antes mágicas como elfos, centauros, fadas e diversas outras raças que transitam pela cidade como seres humanos quaisquer, utilizando carros, celulares, indo à escola, fazendo exercícios guiados por programas de televisão, entre outros costumes do mundo atual.

A dinâmica da missão que uma pista leva a outra com desafios e pequenas tarefas a cada passo, reforça a estrutura de um jogo de RPG. Em especial, por causa do mundo ficcional que explora. Mas não chega a ficar esquemático, nem cansativo, porque intercala bem com o aprofundamento da relação entre os irmãos e toda a carga emocional que isso detona.

E é nessa relação que a estrutura da trama nos encanta e ajuda a acessar emoções e lembranças relacionadas a nossa própria vida. Há o luto, mas há também a esperança. E a questão da busca por si mesmo, resgate da auto-estima e compreensão de seus valores permeia todo o roteiro, sendo capaz de tocar diversos públicos distintos.
A exploração do mundo mágico e suas criaturas, mesmo que tolhidas em um mundo burocrático e tecnológico, traz um apelo visual para as crianças. Principalmente quando apela para o humor, como um centauro policial que utiliza carro. Ou uma gangue de fadinhas de moto. Isso sem falar em uma certa taverna temática.
Dois irmãos: uma jornada fantástica é uma obra divertida e emocionante como os mais famosos filmes já feitos pela Pixar. Com a possibilidade de nos fazer rir e chorar quase ao mesmo tempo, atingindo os mais diversos públicos. Uma confirmação de que o estúdio ainda é capaz de grandes feitos.
Dois Irmãos: Uma jornada fantástica (Onward, 2020 / EUA)
Direção: Dan Scanlon
Roteiro: Dan Scanlon, Jason Headley, Keith Bunin
Duração: 102 min.