Foto: Galeria do Site do Panorama |
Cinema de Resistência no Centro
O XVII Panorama Internacional Coisa de Cinema começou essa semana de maneira híbrida e sua vinheta traduz o sentimento do que significa essa edição para o evento, para o cinema e para a cidade de Salvador.
Desde que a pandemia se instalou no mundo, a classe artística foi uma das que mais sofreu. Sem poder se aglomerar, shows, peças e exibições em sala de cinema foram proibidas. As produções também pararam e aos poucos tiveram que encontrar soluções para se reinventar. Com isso, o streaming ganhou força. Passamos a ver mais filmes pela internet nas plataformas diversas, assistir a lives músicas e até peça online.
Nesse cenário, o cinema Glauber Rocha foi ameaçado de fechar as portas. O retorno do Panorama com sessões presenciais é simbólico em todos os sentidos. O Glauber não fechou as portas, a pandemia está sendo aos poucos controlada (ainda que precise de cuidados e cautela), já nos dando a possibilidade de ir ao cinema e o cinema local continua existindo, vide a programação da competitiva baiana e nacional repleta de obras locais de qualidade com temáticas diversas.
Há pandemia em algumas obras, claro. De maneira explícita como no curta Terra Nova, ou com algumas alegorias como nos curtas Mamãe ou Via Lactea. Mas, com certeza, no sentimento que perpassa todas as obras, mesmo aquelas produzidas antes do recolhimento como Palhaços do Rio Vermelho e Qual a Cor do Trem.
A ideia da exibição híbrida traduz também essa transição em que vivemos, com algumas pessoas sem condições ou coragem ainda para sair e encarar locais fechados. E também pela possibildiade de escolha e ampliação do público para além do soteropolitano.
O fato é que o Panorama e o Glauber, tal qual Corisco, mandaram seu recado, não vão se render a pressões diversas que sofreram nesses dois anos. O cinema vive, o cinema do centro vive, o Panorama vive. Ainda bem.
Confira a programação completa no site do Panorama
Competitiva Nacional de Longas
- 5 Casas (PE) - Bruno Gularte Barreto
- A Felicidade das Coisas (SP) - Thais Fujinaga
- A Matéria Noturna (RJ) - Bernard Lessa
- Edna (SP) - Eryk Rocha
- Madalena (MT/RJ) - Madiano Marcheti
- Mata (Brasil/Noruega) - Fábio Nascimento e Ingrid Fadnes
- Os Ossos da Saudade (MG) - Marcos Pimentel
- Receba! (BA) - Pedro Perazzo e Rodrigo Luna
Competitiva Nacional de Curtas
- 1325 quilômetros 227 dias (RJ) - Gustavo de Almeida e Vítor Teixeira
- Alágbedé (BA) - Safira Moreira
- Angustura (PE) - Caio Sales
- As vezes que não estou lá (PE) - Dandara de Morais
- Céu de Agosto (SP) - Jasmin Tenucci
- Como respirar fora d'água (SP) - Júlia Fávero e Victoria Negreiros
- Estio_rito em lapso (BA) - Alana Falcão, Melissa Figueiredo e Neemias Santana
- Eu espero o dia da nossa independência (GO) - Brunna Laboissiére e Bruna Carvalho Almeida
- Fragmentos de Gondwana (PE) - Adalberto Oliveira
- Hawalari (SP) - Cássio Domingos
- Matança Popular Brasileira (SP) - Bianca Rêgo
- Memórias Perdidas (BA) - Sabrina Andrade e Wendel Medina
- Os Dias com você (BA) - Letícia Cristina e Luan Santos
- Perto de Você (SP) - Cássio Kelm
- Prata (RJ) - Lucas de Melo Silva
- Sideral (RN) - Carlos Segundo
- Terra Nova (AM) - Diego Bauer
Competitiva Baiana de Longas
Açucena - Isaac Donato
Àkàrà no fogo da intolerância - Claudia Chávez
Genocídio e movimentos - Andreia Beatriz, Hamilton Borges dos Santos e Luis Carlos de Alencar
Nós - Letícia Simões
Qual a cor do trem? - Rodrigo Carvalho e Deniere Rocha
Competitiva Baiana de Curtas
Adé - Marcelo Ricardo
Afeminados - Charles Morais
Casa de farinha - Saulo Sâncio
CEGO_CIDADE - Kauan Oliveira
Gelo na chapa - O terceiro olho que o fantasma que me deu - Ramon Mota Coutinho
Iauaraete - Xan Marçall
In-passe - Claudio Machado e Henrique Filho
Mãe solo - Camila de Moraes
Mamãe! - Hilda Lopes Pontes e Klaus Hastenreiter
Maria Quitéria honra e glória - Antonio Jesus da Silva
Meia lata d'água ou lagarto camuflado - Plínio Gomes
O último grão de areia - Marcos Alexandre
Palhaços do Rio Vermelho - O curta - Lilih Curi
Pele manchada - Victor Mota
Quantos mais? - Lucas de Jesus
Quilombo Corcovado - Ancestralidade - Rafael Lage
Redundância - Wayner Tristão
Um transe de dez milésimos de segundos - Jamile Cazumbá
Via Láctea - Thiago Almasy
Voyá - Fanny Oliveira

Amanda Aouad
Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Unifacs e da Uniceusa. Atualmente, faz parte da diretoria da Abraccine como secretária geral.
Cinema de Resistência no Centro
2021-12-03T11:13:00-03:00
Amanda Aouad
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