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Dirty Dancing - Ritmo Quente
Dirty Dancing - Ritmo Quente
Em um dos verões mais emblemáticos da história cinematográfica, Dirty Dancing - Ritmo Quente transcende uma superfície de romance para mergulhar profundamente nas águas turbulentas das relações sociais e nos ritmos envolventes da música e da dança. Ambientado no ano de 1963, o filme se tornou um ícone cultural, capturando a essência de uma época enquanto desafia convenções narrativas.
Eleanor Bergstein, a visionária roteirista por trás dessa obra, não se contentou em oferecer apenas um conto romântico de verão. Ao explorar as tensões sociais entre classes no cenário de um resort de elite, Bergstein corajosamente teceu uma trama que questiona, critica e desmascara a hipocrisia da sociedade. O choque entre ricos e pobres serve não apenas como pano de fundo, mas como um protagonista silencioso, guiando os passos dos personagens em uma dança complexa de emoções e realidades.
Jennifer Grey e Patrick Swayze personificam a jornada tumultuada de seus personagens, Baby e Johnny. Grey, na pele da ingênua e idealista Baby, evolui diante de nossos olhos, revelando uma autonomia e sensualidade que desafiam as expectativas. Swayze, como o enigmático Johnny Castle, não se resume ao estereótipo do "bad boy", revelando as camadas de um homem que anseia por mais do que sua posição social sugere. A química entre os dois atores, embora tumultuada nos bastidores, se traduz de maneira vibrante na tela, alimentando a autenticidade do romance.
Emile Ardolino, em sua estreia na direção, captura com maestria os conflitos sociais e as pulsantes coreografias que dão vida ao filme. Sua abordagem intimista ressalta a naturalidade das expressões, gestos e olhares, envolvendo o espectador em emoções genuinamente humanas. No entanto, ponderamos sobre como um diretor mais experiente poderia ter elevado certas cenas, ampliando a grandiosidade das performances de dança e explorando ainda mais os personagens secundários, que, embora presentes, às vezes permanecem à sombra da trama central.
A música, cuidadosamente escolhida e executada, não é apenas um acompanhamento, mas um personagem coadjuvante que ecoa sentimentos e emoções. "I've Had The Time of My Life" tornou-se o hino inconfundível do filme, sincronizando-se perfeitamente com a última dança entre Johnny e Baby, um momento que ressoa em uma memória coletiva do cinema.
O filme não se esquiva de temas delicados, enfrentando corajosamente questões como o aborto e a luta de classes. Ao invés de romantizar esses temas, Dirty Dancing os apresenta de maneira sensível, convidando o espectador a refletir sobre as complexidades sociais da época e, por extensão, sobre a atualidade.
Ao encerrar o filme Dirty Dancing - Ritmo Quente, somos levados a reconhecer mais do que um romance de verão; é um manifesto artístico que desafia as normas, celebra a diversidade humana e, acima de tudo, dança na alma do espectador. Seu legado perdura não apenas pelas melodias cativantes e pelos passos de dança envolventes, mas pela coragem de enfrentar as complexidades da vida e da sociedade com uma honestidade visceral. Dirty Dancing não é apenas um filme; é uma experiência que ecoa na alma.
Dirty Dancing - Ritmo Quente (Dirty Dancing, 1987 / EUA)
Direção: Emile Ardolino
Roteiro: Eleanor Bergstein
Com: Jennifer Grey, Patrick Swayze, Jerry Orbach
Duração: 100 min.

Ari Cabral
Bacharel em Publicidade e Propaganda, profissional desde 2000, especialista em tratamento de imagem e direção de arte. Com experiência também em redes sociais, edição de vídeo e animação, fez ainda um curso de crítica cinematográfica ministrado por Pablo Villaça. Cinéfilo, aprendeu a ser notívago assistindo TV de madrugada, o único espaço para filmes legendados na TV aberta.
Dirty Dancing - Ritmo Quente
2024-01-29T08:30:00-03:00
Ari Cabral
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