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Lawrence da Arábia
Lawrence da Arábia
Em meio à vastidão implacável do deserto, onde o céu e a areia se unem em uma sinfonia visual majestosa, David Lean, um dos mestres visionários do cinema, deu vida a uma obra-prima. Lawrence da Arábia (1962) não é apenas um filme; é uma jornada complexa pela alma humana, imersa na poesia do deserto e nas contradições de um herói trágico.
A escolha ousada de Lean em filmar nas locações reais dos eventos, embora desafiadora logisticamente, resultou em uma cinematografia deslumbrante. A vastidão do deserto, capturada em planos abertos estonteantes, torna-se um personagem por si só. Os personagens contrastam com a grandiosidade da natureza ao seu redor. É uma dança orquestrada pela luz do sol impiedoso e pela magia da ilusão óptica das miragens, graças à habilidade de Freddie Young.
Peter O'Toole personifica Thomas Edward Lawrence com uma intensidade que transcende a tela. Sua interpretação vai além da superfície, capturando as complexidades do personagem. Lawrence, inicialmente apresentado como um jovem insubordinado, revela camadas de egocentrismo e motivações obscuras. O'Toole navega pelas contradições de Lawrence, desde sua busca pelo controle até sua transformação em um líder quebrado pela guerra.
David Lean, conhecido por seu talento em contar histórias épicas, realiza uma coreografia magistral nesta odisseia no deserto. A abordagem estética, por vezes comparada à disposição de um palco teatral, não é uma limitação, mas uma escolha que destaca a imensidão do deserto e a pequenez do homem diante dele. A direção de Lean é uma fusão de contemplação visual e narrativa profunda, capturando tanto a grandiosidade quanto a intimidade da jornada de Lawrence.
Dentre os muitos momentos notáveis, destaca-se a catarse no deserto de Nafud. Lean, com maestria na montagem, conduz o espectador por uma miragem, acompanhando um garoto órfão que aguarda ansiosamente por Lawrence. A música de Maurice Jarre cresce, e somos presenteados com a revelação de Lawrence, conquistando seu destino no horizonte. É uma cena onde a magia do cinema encontra sua expressão máxima, envolvendo-nos emocionalmente na jornada do herói.
A segunda metade do filme explora o declínio de Lawrence, não de maneira clichê, mas através da realidade que ele sempre menosprezou: as motivações das tribos árabes. A dualidade cultural, exemplificada nas vestes de Lawrence, simboliza sua busca por identidade. A liderança, antes admirada, desmorona quando confrontada com a efemeridade das lealdades superficiais. O herói se torna um homem comum, um inglês perdido em um deserto que nunca poderia verdadeiramente liderar.
Lawrence da Arábia é uma obra-prima atemporal que transcende as barreiras do cinema convencional. David Lean, com sua abordagem ousada e visão única, nos presenteia com uma experiência cinematográfica que não é apenas visualmente deslumbrante, mas também uma exploração profunda da psique humana. O filme ressoa pela dualidade do homem, suas conquistas grandiosas e suas quedas trágicas, tudo emoldurado pela imensidão implacável do deserto. Uma obra que exige reflexão, perdura na memória e continua a ser uma referência incontestável na história do cinema.
Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia, 1962 / Reino Unido)
Direção: David Lean
Roteiro: Robert Bolt, Michael Wilson
Com: Peter O’Toole, Omar Sharif, Alec Guinness, Anthony Quinn, Jack Hawkins
Duração: 222 min.

Ari Cabral
Bacharel em Publicidade e Propaganda, profissional desde 2000, especialista em tratamento de imagem e direção de arte. Com experiência também em redes sociais, edição de vídeo e animação, fez ainda um curso de crítica cinematográfica ministrado por Pablo Villaça. Cinéfilo, aprendeu a ser notívago assistindo TV de madrugada, o único espaço para filmes legendados na TV aberta.
Lawrence da Arábia
2024-01-12T08:30:00-03:00
Ari Cabral
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