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Garfield: O Filme
Garfield: O Filme
Garfield, a icônica criação de Jim Davis, ganhou vida nas telonas em 2004, sob a direção de Peter Hewitt. O filme, baseado nas tirinhas do famoso gato preguiçoso e sarcástico, recebeu críticas diversas à época, mas vamos também analisar apontando suas falhas e seus pontos de destaque.
Uma das características marcantes do filme é a animação digital que dá vida a Garfield. Tecnicamente, a equipe realizou um trabalho impressionante em 2004 ao manter a fidelidade aos traços originais das tirinhas, permitindo que o gato digital interaja de maneira convincente com um ambiente real. No entanto, essa conquista técnica não é suficiente para compensar as falhas narrativas e estruturais do filme.
A decisão de transformar um personagem conhecido por seu humor baseado em situações cotidianas em um herói de aventuras revela uma falta de compreensão da essência do material original. As tiras de Jim Davis focam nas atitudes de Garfield, não em ações grandiosas. Essa sutil diferença é crucial para entender o fracasso do filme em capturar a essência do personagem.
Bill Murray emprestou sua voz a Garfield e, embora tenha conseguido arrancar algumas risadas, a mediocridade do roteiro acabou por vencer. O ator, em uma fase positiva de sua carreira, talvez tenha subestimado o impacto negativo que esse papel teria. A escolha de participar de um projeto que, em muitos aspectos, parece desconectado de seu talento é uma mancha em sua carreira cinematográfica.
O elenco humano, liderado por Breckin Meyer e Jennifer Love Hewitt, também não escapa. A narrativa romântica entre Jon e Liz é superficial e desinteressante, contribuindo pouco para o enredo geral. A atuação de Meyer é, em muitos momentos, apática, deixando os espectadores desejando mais profundidade nos personagens.
A direção de Peter Hewitt, enquanto tecnicamente competente em aspectos visuais, falha ao não entender a essência do material original. A tentativa de criar uma cumplicidade entre Garfield e o público, fazendo-o olhar diretamente para a câmera, distrai em vez de envolver. A escolha de transformar Garfield em um herói de ação desvia-se significativamente do tom das tirinhas, frustrando os fãs do personagem original.
Christophe Beck, responsável pela trilha sonora, entrega uma composição genérica que, em alguns momentos, parece deslocada e excessivamente alta. A técnica de mesclar elementos de animação digital com o ambiente real é notável, mas as interações entre Garfield e os atores humanos frequentemente parecem forçadas e desconfortáveis.
Em resumo, Garfield (2004) é um filme que, apesar de conquistar algum sucesso entre o público infantil, falha em capturar a essência do personagem original e aproveitar seu potencial cômico. A escolha de transformar Garfield em um herói de ação e a falta de profundidade no desenvolvimento dos personagens resultam em uma obra que, embora tecnicamente impressionante em alguns aspectos, carece de substância e coesão. A participação de Bill Murray e a animação digital de Garfield são pontos luminosos em meio a um projeto que, infelizmente, não honra adequadamente o legado do gato mais preguiçoso e amado dos quadrinhos.
Garfield: O Filme (Garfield, 2004 / EUA)
Direção: Peter Hewitt
Roteiro: Joel Cohen, Alex Sokolow, Jim Davis
Com: Breckin Meyer, Jennifer Love Hewitt, Bill Murray, Stephen Tobolowsky, Evan Arnold, Mark Christopher Lawrence, Vanessa Campbell
Duração: 80 min.

Ari Cabral
Bacharel em Publicidade e Propaganda, profissional desde 2000, especialista em tratamento de imagem e direção de arte. Com experiência também em redes sociais, edição de vídeo e animação, fez ainda um curso de crítica cinematográfica ministrado por Pablo Villaça. Cinéfilo, aprendeu a ser notívago assistindo TV de madrugada, o único espaço para filmes legendados na TV aberta.
Garfield: O Filme
2024-03-04T08:30:00-03:00
Ari Cabral
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